08/02/2008
Trapalhadas em Caracas

Chegamos em Caracas no meio da confusão do carnaval. Ficamos num hotel em Sabana Grande bem perto do Bulevar, a principal rua de pedestres. Todos os dias milhares de foliões se acotovelavam por esta avenida num animado carnaval de rua. É o carnaval mais família que já vi. Todos bebês e crianças usavam fantasias super bem produzidas e seus pais e mães desfilavam para exibi-los. Tinha de tudo, desde abelhinhas e joaninhas até guerrilheiros com fardas camufladas(que só me lembrava o Chávez). O João ficou bem agitado com a bagunça. Se divertiu com as crianças fantasiadas e a chuva de confetes e espuma. Ficava olhando tudo com uma atenção enorme e dançou bastante com as músicas que ia ouvindo. Em toda Venezuela não há cidade que não tenha uma praça com uma estátua de Bolívar e aqui na capital a imagem do libertador está em todos os cantos. Quando fomos ao centro, paramos em uma loja para comprar uns enfeites de carnaval. Exatamente em frente era a casa onde nasceu Símon Bolívar, hoje um ponto turístico. O João ficou brincando um tempão no portão da casa, que tinha uns detalhes de ferro. Na Plaza Bolívar ele pirou com os pombos, e agora andando, perseguiu-os sem piedade. Até arriscou umas corridas e ficava olhando eles voarem até as arvores. No meio dessa praça tem a estátua eqüestre mais curiosa de Bolívar. Foi feita na Europa e trazida de navio depois de passar tempos no fundo do mar devido a um naufrágio. Tirando a parte histórica, que é linda, o centro é muito confuso e sujo. Nunca fui muito com a cara do presidente Chávez . Durante nossa viagem vi tanta propaganda oportunista e populista de seu governo que tomei um asco total dele. Me pareceu piada sua postura socialista de “ o povo no poder” e seu discurso anti imperialista, um vazio completo. Sei que a cidade tem museus lindos, mas não deu para visitar, pois estavam todos fechados. De toda a viagem aqui se fala o espanhol mais difícil de entender, agravado muitas vezes pelo mal humor dos venezuelanos. Geralmente ficamos tristes de ir embora dos lugares. Mesmo tendo que acordar as quatro horas da manhã para pegar nosso vôo para Buenos Aires, sentimos um alívio em deixar Caracas. No aeroporto ainda passamos mais momentos de raiva. Tivemos que trocar mais dólares para pagar a taxa de saída e sobraram duzentos mil Bolívares(US$ 70). Logicamente me dirigi a uma casa de câmbio para destrocar o dinheiro em dólares pois bolívares de nada me adiantariam na Argentina. Simplesmente me informaram que eu não podia trocar e que a solução era gastar ou levar o dinheiro de recordação(juro!!). Nem brigando muito conseguimos trocar os bolivares. Acabamos gastando em xampus, cremes e fraldas(a Ana sempre gostou de cosméticos e aproveitou para renovar nosso estoque farmacêutico. Só que tudo ficou apreendido depois no aeroporto de Guarulhos onde fizemos escala). No freeshop ainda compramos, `as pressas, quatro quilos de chocolate( que ainda não foram apreendidos mas nos deram algumas espinhas e tornaram nossas mochilas ainda mais pesadas). Ainda passei uma situação mais surreal quando chegamos ao portão de embarque. Fui chamado pelo auto falante e me falaram que eu teria que ir até o setor de bagagens. Tive que vestir um colete fosforescente e fui acompanhado por um agente do aeroporto até a oficina da guarda nacional que fica ao lado da pista onde estão os aviões. Quando cheguei lá um soldado, supervisionado por um oficial, colocou meu mochilão em cima de um balcão e depois das perguntas iniciais começou a tirar tudo de dentro, item por item. Examinou filme por filme e tive que quase dar uma aula de fotografia para que entendesse porque alguns filmes tinham as pontinhas para fora e outros não. Ainda teve a cara de pau de me dizer que eu deveria comprar uma câmera digital. Resumindo, fiquei ali por mais de uma hora até o infeliz do guarda revistar a última peça. No fim largou tudo uma zona e eu tive que arrumar tudo dentro da mochila novamente. Quando eu voltei a Ana estava assustada com a demora. Os passageiros e tripulação da Tam também estavam furiosos, estavam todo esse tempo só aguardando nosso embarque. Não vamos sentir saudades de Caracas. Minha antipatia por Chávez está consolidada!

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03/02/2008


Pré carnaval em Tucacas



Viemos para Tucacas com o objetivo de visitar o maravilhoso Parque Nacional Morrocoy. A cidade de beira de estrada não tem nada de interessante e é muito feia, mesmo assim conseguimos ficar numa pousada simpática de dois mergulhadores. Um é belga e o outro alemão e ambos estão há quase vinte anos aqui. No meio dos coqueiros eles tem gatos, cães, papagaios e araras. Nem preciso contar que o João fez a festa com os bichos. Agora andando, nosso pequeno está impossível, não fica parado nem um minuto. Em todos lugares por onde passamos, por segurança, vamos vedando as tomadas com fita adesiva. Ontem esquecemos de repor a fita depois de usar a tomada e em um segundo que descuidamos dele, já tinha levado seu primeiro choque. Chorou um pouco, mas não foi nada. Morrocoy é um parque cheio de ilhas virgens e praias lindíssimas. As duas portas de entrada são as cidades de Chichiriviche e Tucacas. Chegamos com muita vontade de ir logo para as ilhas e passar o dia em alguma praia, mas no primeiro dia choveu muito e os barcos não saíram. Acabamos indo a praia só no fim da tarde, mesmo nublado. A cidade estava se preparando para receber os milhares de visitantes no carnaval. Descobrimos uma padaria ótima aqui, parecida com aquelas de São Paulo. Só comemos lá, até porque, os restaurantes daqui são péssimos. No segundo dia demos sorte, pois amanheceu um dia lindo. Pegamos um dos primeiros barcos e nos mandamos para as ilhas. Realmente não podíamos ter ido embora sem visitar esse paraíso. Águas transparentes,areia branquíssima, maguezais e coqueirais. Tudo de bom, parecia um sonho(as fotos descrevem melhor...). Ainda almoçamos um delicioso prato de ceviche mixto(lulas, camarão, peixe e polvo) na maravilhosa praia Cayo Sombrero. O João relaxou tanto que dormiu mais de duas horas debaixo de um coqueiro. Muita gente acampa nessas ilhas depois de tirar uma permissão. Nós desistimos dessa empreitada, pois os mosquitos são vorazes. Os sancudos, como os locais os chamam, são menores que formigas mas fazem um estrago desproporcional ao seu tamanho. Quando chegamos de volta ao píer, a cidade estava começando a virar um caos por causa do carnaval. Multidões de turistas chegavam de todas as partes. Era nossa hora de deixar Tucacas. Foi uma despedida do Caribe em grande estilo. Esse paraíso vai ficar em nossa memória por muito tempo.

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02/02/2008
De volta ao mar do Caribe em Adícora



Viemos parar em Adícora por acaso. Quando desembarcamos na rodoviária de Coro estava um calor muito forte. O céu azul e sol reluzente nos deu vontade de voltar para praia e não ficar em Coro como tínhamos planejado. Não sabíamos exatamente para onde ir. Conversando com um taxista, ele nos sugeriu a pequena Adícora, dizendo que era a praia mais próxima e que a viagem de uma hora sairia por uns oitenta mil bolívares(vinte dólares). O câmbio aqui na Venezuela é um pouco complexo. Oficialmente um dólar vale dois mil e poucos bolívares, mas todos sabem que essa cotação é irreal. Todos usam o câmbio negro que paga até cinco mil para cada dólar(até agora só conseguimos quatro mil). Ou seja, usar o cartão de crédito ou casas de câmbio oficiais é a maior furada. Todos trocam dólar na rua, porém é mais seguro buscar algum comércio ou hotel. O motorista do táxi era uma figura, muito gente fina, dirigia um daqueles carrões velhos caindo aos pedaços, que aqui eles chamam de carritos. Apesar do estado do carro viajamos com ar condicionado, no maior conforto . Fomos conversando e ouvindo um cd de salsa e clássicos caribenhos no maior volume pela estrada. O João, depois de dormir quase as quatro horas da viagem no ônibus, estava com a bateria carregada. Mexeu em tudo dentro do carro. O motorista não acreditou quando ele começou a dançar e bater palmas ouvindo as músicas. Ele tinha netos da mesma idade e ficou tão feliz que quando chegamos nos deu de presente o cd. Depois de nos deixar no hotel ainda voltou para devolver o carrinho do João que tínhamos esquecido no táxi. Já tinha lido sobre Adícora no guia e sabia que era um lugar interessante, mas o pequeno vilarejo nos surpreendeu. Fica na linda península de Paraguaná, na costa noroeste, onde o continente venezuelano avança mar do caribe adentro. É o ponto do país mais próximo de Aruba e tem praias fantásticas e um casario colonial lindo. Foi paixão`a primeira vista. Voltamos `a vida boa de turistas no Caribe. Na praia daqui, que tem a areia mais dura, nosso pequeno viajante está andando sem parar. Estamos orgulhosos do andarilho. Ele mesmo, quando se dá conta que está caminhando tanto, sorri, orgulhoso de si próprio. Ficamos com vontade de alugar um carro e viajar pelas várias cidadezinhas da península. Existem praias muito lindas e aqui o preço da gasolina é incrivelmente barato. Um litro custa trinta centavos de dólar, dá para rodar muito gastando pouco. Infelizmente nosso tempo aqui na Venezuela está corrido pois temos que pegar um vôo em Caracas em alguns dias. Um dia voltaremos com tempo suficiente para conhecer mais desse país maravilhoso.

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01/02/2008

Enfim, Venezuela.


Depois de mais de três meses viajando chegamos `a Venezuela. Antes de sairmos de São Paulo imaginava que iríamos no máximo até o Peru e já me satisfazia com essa possibilidade. Enquanto isso, Ferdinando já estava pensando no México, Cuba etc A verdade é que para viajar basta ter um bocado de coragem, fé e jogo de cintura para improvisar muito durante o caminho. Todo o resto se resolve... Tinha muitos medos antes de embarcar nessa aventura com o nosso pequeno João. Como toda mãe ficava pensando no bem estar dele, no conforto, na (falta) rotina, na alimentação, nas diversas camas e quartos diferentes, ..., enfim, em mil coisas. Mas nada disso se transformou em problemas que nos impedissem de continuar na estrada. Na verdade, o pediatra do João sempre nos apoiou muito nessas perspectivas de viagem, dizendo que ele estaria sempre bem desde que estivesse com a gente. E é certo! Assim como qualquer pessoa os bebês também têm uma capacidade de adaptação gigantesca e logo que nascem passam a ser nossos companheiros, sempre. Imagino que essa experiência enriqueça sua vida e abra sua cabeça para as diversas formas de vida, de linguagem, de costumes, culturas etc Começamos a viajar com nosso pequerrucho quando ele tinha apenas um mês e meio, pois nossas famílias estão espalhadas pelo Brasil, entre Rio, Brasília e Minas Gerais. E com quatro meses ele conhecia uns seis estados do nosso País. Sempre se comportou muito bem, apesar da fase das cólicas. E para nós isso foi mais um fator fundamental que nos impulsionou a realizar um sonho que temos há mais de oito anos. E agora estamos na Venezuela, subimos muito até aqui e sempre por terra. Desde que chegamos no Chile, em Santiago, quase todo o caminho (com exceção de Cali – Cartagena) foi feito em cima de muitas rodas. Mil estórias, nem sei quantos ônibus ou quantas horas gastamos – depois quero fazer esses cálculos, por curiosidade. E o nosso João foi numa boa, dormindo a maior parte do tempo em qualquer meio de transporte: barcos, trens, ônibus, caminhonetes, carros, vans, aviões etc Viemos longe e mais uma vez enfrentamos outra fronteira, entre Colômbia e Venezuela. Como os meios de comunicação têm mostrado, as relações entre esses dois países andam meio estremecidas. E durante as oito horas de viagem entre Santa Marta e Maracaibo fomos parados umas cinco vezes pela polícia armada e pelo exército que revistaram toda a bagagem do ônibus com cachorros e sempre nos pediam todos os documentos. Um clima ostensivo para quem estava saindo de um paraíso belíssimo na praia como Taganga. Estávamos em outro ritmo e tudo me pareceu muito estranho. Em uma dessas paradas, Ferdinando estava dando comida para o João, quando um policial depois de ver os passaportes e identidades de todos os passageiros pediu que ele o acompanhasse descendo do ônibus. Não entendi nada e continuei tentando dar comida para o João, que parou de comer imediatamente após a saída do pai. Fiquei bastante tensa, já que quando olhei para fora não o vi mais e não sabia o que estava acontecendo. As pessoas no ônibus pararam tudo para observar e nesse momento percebi que o tinham levado para uma casinha, onde estavam ele e mais dois policiais. Me falaram para descer com o João nos braços e ir até lá tirar satisfações. Enquanto eu tentava não transparecer o nervosismo para o João, os policiais interrogaram o Fernando, queriam saber quem ele era, o que fazia, o por quê das férias na Venezuela, o que estava fazendo lá, de onde vinha, para onde ía, qual a sua origem e principalmente quanto tinha de dinheiro. Retiveram nossos passaportes e questionaram ele não ser parecido com a foto do meu documento. Claro, era o meu passaporte e não o dele. Depois o revistaram e pediram que tirasse todo o seu dinheiro. Na verdade, queriam isso, estorquir! Ficaram perguntando aonde ele trocaria seus dólares e falando que era melhor, mais seguro que trocasse ali com eles. Ferdinando não se intimidou em nenhum momento e ao final conseguiu sair dali, para o alivio da gente e de todos, sem dar um centavo para aqueles policiais corruptos. Ao chegar no ônibus todos queriam saber o que tinha acontecido, o que eles queriam e perguntaram se ele tinha dado grana. Ele subiu as escadas sorrindo e dizendo que como um bom carioca estava acostumado com maus policiais, que estão por toda parte e que não tinha cedido `a pressão deles. João se acalmou e voltou a comer depois de um tempo. Seguimos a viagem com mais uma estória pelo caminho... Enfim, chegamos na Venezuela.


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31/01/2008
Surpreendente Colômbia!



Parece até lugar comum falar das nossas dificuldades em deixar os lugares que conhecemos. Quase sempre contamos como é duro partir, mas despedir da Colômbia foi realmente doloroso. De todos os paises que visitamos, talvez a Colômbia seja o mais parecido com o Brasil: as comidas (apesar deles comerem frango, arroz e batata frita no café da manhã e colocarem banana na sopa, que apesar de estranho é muito bom!), o povo alegre que adora uma conversa, o despojamento, o clima quente, o humor, tudo nos deixou muito `a vontade. Nosso João, então, só ficava pelado o tempo inteiro, solto na praia, brincando com a areia, tudo que encontrava pela frente, os bichos, as pedras, pedaços de pau, tudo era diversão. Me lembro da estrada que pegamos do Equador até a Colômbia. Parecia viva, muito diferente das outras em que o que mais se via eram as belas paisagens. Assim que entramos na Colômbia tudo mudou radicalmente. Em vez de paisagens lindas e distantes, muita gente na beira da estrada, muita cor, situações super interessantes que renderiam ótimas fotos, mas que ficaram fixadas na mente. Não me esqueço da luz de fim de tarde e de tantas pessoas em suas varandas rindo, conversando, com suas roupas coloridas, mais decotadas, tanta beleza e sensualidade que se misturava a aquele calor forte que chegava imperativo. Não consegui dormir um segundo, afinal tinha muita coisa acontecendo para perder dormindo. Depois mais surpresas. Primeiro as duas mulheres seqüestradas há seis anos pelas Farc que foram libertadas no dia em que chegamos e em seguida, o sul do país com suas construções coloniais e a tranqüilidade que nem sonhava existir. Durante a viagem de ônibus, voltando `a estrada, assistimos a um filme que contava uma estória bizarra de amor durante a década de 80, quando era comum haver guerrilhas entre gangues de jovens delinqüentes que sempre em suas motos matavam seus rivais `a queima roupa e `a luz do dia. O cenário era Bogotá, que acabamos abrindo mão de conhecer já que nosso tempo não era muito grande e achamos melhor dar preferência ao Caribe. Confesso que fiquei um tanto impressionada com aquelas imagens de violência, apesar de saber que era uma ficção baseada em fatos reais, mas do passado. Depois de muitas campanhas fortes de combate `a violência hoje a Colômbia nem parece ser aquele país tão estigmatizado pela brutalidade. Pelo menos, em todos os lugares por onde passamos sempre foi muito tranqüilo, apesar de termos visto uma curiosidade típica: todos os motoqueiros usam coletes fosforescentes com o número da placa da moto. Essa foi uma das medidas tomadas contra a guerra entre as gangues.
João começou a andar na Colômbia e eu e Ferdinando nos apaixonamos pelo mar do Caribe, pelo sol (que no Equador quase não apareceu), pelos sucos deliciosos de frutas exóticas como lulo, zapote, tomate de arbol, niespero, pela linda Cartagena e sua ilha Baru de águas cristalinas onde quase fui atropelada por um jet ski, por Popayan e seu centro histórico todo branco, pela tourada, pelas músicas (até comprei uns cds), pelos índios guambianos tão elegantes com seus chapéus, saias, colares e mantas coloridas carregando seus bebês; o maravilhoso parque Tayrona onde João acampou pela primeira vez e adorou (acreditem! É possível e tranqüilo acampar com um bebê) e por fim, pela linda Taganga em que reencontramos nosso querido amigo turco e onde fizemos novos amigos também, comemos peixes deliciosos, o melhor chocolate cheio de cacau e mergulhamos e exploramos um pouco desse outro mundo que é o mar. Foram dezessete dias muito intensos e difíceis de esquecer. Ao final, seguimos mais viagem rumo a Venezuela, mas no caminho as imagens, as cores, os sabores, a água, a alegria, o calor, os odores, ..., tudo povoava muito a cabeça e uma imensa vontade de voltar e explorar mais e mais um país tão fascinante e surpreendente.

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29/01/2008
Mergulho, babás e iguana em Taganga

O povo de Taganga já está em clima de carnaval, muita festa e até blocos na rua. Taganga é um dos melhores lugares da Colômbia para mergulhar, o mar do Caribe é uma tentação. Mergulho é uma das paixões que temos em comum. Um curso completo de três dias com direito ao certificado internacional de mergulhador custa uma média de 250 dólares, que é muito barato. Desde o primeiro dia aqui ficamos loucos de vontade de mergulhar. Nosso único receio era arrumar uma babá para ficar com o João. Ele nunca ficou com ninguém desconhecido e é muito grudado com a gente. Pensamos que iríamos nos arrepender de não mergulhar em pleno Caribe, e assim contratamos dois mergulhos numa operadora indicada e onde foram simpáticos com o João. Pedimos para ir mais uma pessoa acostumada com crianças no barco para poder ficar tomando conta do nosso pequeno. Estávamos com um pouco de medo, não do mergulho, mas da reação do João ao ficar com uma pessoa desconhecida. No dia seguinte testamos o equipamento e partimos cedo em uma lancha pequena. O grupo era só eu e Ana e um instrutor, o que me tranqüilizou pois poderíamos fazer tudo no nosso tempo. Paramos em uma enseada onde existe uma base em terra para refeições e descanso entre os mergulhos. O dia estava perfeito e o mar turquesa e transparente. No primeiro mergulho sairíamos da praia ao mesmo tempo com o instrutor. Só que o João estava com sono, resmungando um pouco e não quis ficar com o Felipe, o rapaz sorridente que seria nossa babá. Então nossa alternativa foi fazer o mergulho separados. Fui primeiro e Ana depois. Um mergulho de 45 minutos para cada foi o suficiente para relaxar e acabar com nossa preocupação. É um outro mundo abaixo da superfície. A realidade subaquática é completamente diferente. E a fauna marinha daqui é espetacular. Enquanto ficou comigo na cabana o João comeu um pouco do meu sanduíche de queijo e uma maçã raspada. Ele estava morrendo de sono mas não entregava os pontos. Nosso segundo mergulho foi ainda mais perfeito. Na lancha o João se acomodou no meu colo e quase dormiu. Nem percebeu quando foi para o colo do Felipe. Vestimos os equipamentos e caímos n’água juntos. Mais 45 minutos de nirvana e milhares de peixes e corais de todas cores possíveis. Mergulho é uma meditação. Quando retornamos a superfície, o barco veio rápido ao nosso encontro e lá estava nosso João todo esparramado dormindo no colo do valente Felipe. Respiramos fundo aliviados quando ele nos contou que o pequeno havia adormecido assim que mergulhamos. Deu tudo certo, foi maravilhoso. Futuramente o João vai mergulhar conosco. Ainda chegamos de volta a Taganga a tempo de pegar uma praia. Enchemos a piscininha do João e ele brincou horas dentro dela. Depois, enquanto almoçávamos um delicioso peixe aconteceu uma cena surreal. De repente saiu da água correndo uma enorme iguana enlouquecida. Meio desgovernada ela passou pelo meio do restaurante ao nosso lado. Com a gritaria e gente correndo de medo ela se escondeu dentro da cozinha. O bichano verde era lindo, tinha mais de um metro, e uma cara de dragão. O João assistiu tudo rindo, quase gargalhando. Foram necessários três homens para capturar a iguana no meio das panelas. Por fim a soltaram em uma árvore. Ainda tivemos um pôr do sol lindo, com o João de volta a paz em sua piscina. Esse dia comprido terminou com arrumação de mochilas e um maravilhoso chocolate 70% puro cacau colombiano. Amanhã seguimos rumo `a Venezuela. Sentiremos saudades, adeus Colômbia.

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28/01/2008
Em território Tayrona



Tomamos coragem e fomos para o parque nacional Tayrona, que é uma reserva ambiental onde habitam os remanescentes índios Tayronas. Não é uma viagem simples, o acesso é um pouco complicado. O parque tem uma área enorme e é uma mistura de selva com litoral. Saímos cedo para Santa Marta, onde tomamos um ônibus até El Zaino, na entrada principal, onde se paga uma taxa de 15 dólares . Depois da entrada pegamos um jeep que nos deixou em Cañaveral na parte central do parque. De lá só há duas alternativas: cavalos ou caminhada. Caminhamos uma hora por uma trilha linda pela selva cheia de esquilos, tucanos e macacos. O João delirou com os bichos e os sons da floresta. Finalmente chegamos em Arrecifes, na beira de uma praia selvagem maravilhosa. Em Arrecifes comemos num dos poucos e caros restaurantes que há no parque. Não tínhamos trocado dólar em Santa Marta e estávamos com poucos pesos colombianos. Tudo no parque é muito caro, a maioria das pessoas leva sua própria comida e barraca de camping. Nós não levamos quase nada, só umas maçãs e uns potinhos para o João. Tivemos que pechinchar no restaurante e no camping, pois queríamos ficar três dias. Para dormir há três opções, redes, chalés e barracas. Conseguimos desconto em uma barraca no lindo camping Bukaru. Primeiro acampamento do João. Nossa barraca ficava num coqueiral enorme de frente para um rio cheio de garças e uma praia deserta linda. Uma vista impressionante. No primeiro dia nem saímos dali, ficamos alternando os mergulhos na praia e rio. O João reluzia de tanta felicidade. De noite quando entramos na barraca para dormir ele já estava bem sonolento, mas despertou rapidamente e ficou horas explorando a barraca. Adorou. No dia seguinte andamos muito para conhecer as praias. É uma mais bonita que a outra, difícil eleger uma preferida. Adoramos La Piscina e Cabo San Juan de la Guia mas curtimos muito o sossego de uma praia deserta a direita de arrecifes. A noite ainda fomos premiados com uma lua cheia enorme e amarela nascendo no mar. O rastro prateado começava no oceano e terminava pertinho de nós nas águas do riacho. Uma imagem quase mística de tão perfeita. Ficamos horas na areia em silêncio só observando. O João acabou dormiu tomando um banho de lua. De madrugada caiu um temporal com ventos fortíssimos. Felizmente nossa barraca resistiu fortemente. Foi difícil ir embora de um lugar tão paraíso, mas tínhamos que voltar a realidade. Na trilha de volta ainda cruzamos com uns indiozinhos Tayronas e o João adorou ficar olhando eles subindo e brincando nas árvores.




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27/01/2008
Muito sol e vento em Taganga


Saímos de Cartagena e seguimos para o norte pela costa, não queremos mais deixar o mar do Caribe. Quase não paramos em Barranquilla e Santa Marta, ambas estavam muito cheias com a alta temporada e continuamos querendo lugares menores e mais calmos. Viemos direto para a pequena Taganga, um pequeno vilarejo de pescadores, que é lindo. A praia daqui é uma lagoa, perfeita para crianças: água transparente e tranqüila. O João está ganhando confiança nos seus passinhos, já arrisca até uma caminhada pela areia. Ele está adorando passar os dias na praia, pelado, dormindo na sombra dos coqueiros e comendo os deliciosos peixes com arroz de côco e patacones (banana frita). Tem se esbaldado no mar e perseguido muitos cachorros. Nosso hotel se parece com um barco, tem corredores estreitos e escadas perigosas (não desgrudamos os olhos do João!) e um restaurante no terraço com uma com uma vista de morrer. Natan, o gerente é um chef americano de New Orleans muito simpático. Nos preparou um delicioso jantar, com um toque criole especial. No nosso café da manhã no terraço é preciso segurar firme as torradas pois elas saem voando com a ventania, é sério perdi uma assim. O vento daqui é poderoso. Comer granola é impossível... O João ficou muito amigo de um papagaio que fica ao lado do nosso quarto. Já acorda rindo com os gritos do papagaio. Sua única queixa é tomar banho frio, não há água quente nos hotéis daqui. Reencontramos nosso divertido amigo turco. Conversamos bastante e demos umas dicas de viagens pelo Brasil. Ele vai descer o rio Amazonas e viajar pelo nordeste. Ele, em troca, nos passou uma seleção de músicas turcas ótimas e nos salvou de continuar ouvindo as mesmas músicas que trouxemos. Estamos apaixonados pelos sucos de frutas daqui, são maravilhosos. Não sei como vamos nos virar sem suco de lulo ou zapote em São Paulo.

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Fernando Martinho e sua mulher Ana Paula, ambos fotógrafos, contam as aventuras e os desafios de viajar pela América Latina com um bebê de dez meses na mala.
   
 
 


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