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Lagoa de Quilotoa
A estrada de Quilotoa é famosa por suas belezas naturais e autenticidade de seus vilarejos. É considerada uma das mais bonitas dos andes. Muitos turistas não se aventuram por essas bandas, pois os acessos são um pouco difíceis. Os ônibus são raros, passam nos horários mais loucos e sempre lotados. As outras opções, fora carro próprio, são caminhões de leite ou fretar uma camionete. Saímos de camionete de Zumbahua para ver a lagoa de Quilotoa, a 3.800 metros de altitude. A Ana e o João foram na cabine com o motorista e eu na caçamba, fotografando para todos os lados. Na chegada, sob a luz do entardecer, a lagoa estava ainda mais linda. Suas águas verdes e cristalinas cercadas por montanhas, como uma cratera, parecia ter sido pintada de tão perfeita. Ficamos ali admirando e admirados. Depois fomos visitar a vila e o João fez mais amizades. A Ana queria aprender o jeito que as equatorianas carregam os bebês (diferente das bolivianas e peruanas), então comprou um tecido e a mulher que vendeu ficou um tempão ensinando sua técnica. Juntou gente para ver o João nas costas da mulherada. Todas queriam carregá-lo um pouco. Ele teve muita paciência e no fim já brincava com todas. Já estava anoitecendo e fazendo muito frio quando voltamos para Zumbahua, pois Quilotoa, além de ser mais alto, tem pouca opção de hotel. Chegamos a tempo para o jantar. Fiquei meio congelado pelo vento da camionete e fui salvo por uma deliciosa sopa de quinua quentinha. Nessa noite enchemos a piscina inflável do João e depois de um longo banho o pequeno dormiu um sono profundo. Foi direto até de manhã. Bem que todas as noites poderiam ser assim.
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Paz em Chugchilán
Tomamos mais um ônibus lotado por uma estrada de terra sofrível até Chugchilán. Nos sentamos nas últimas duas poltronas livres, no fim do corredor, onde haviam cinco poltronas juntas. Mais pra frente subiu um homem falante, meio cambaleante. Estava bem “borracho”(bêbado) e adivinhem onde ele se sentou? Claro, do meu lado, em uma poltrona que só devia existir em sua imaginação etílica. O camarada exalava álcool mas era um bebum simpático. Foi o caminho brincando com todos passageiros e contando piadas, era bem engraçado. Em Chugchilán ficamos hospedados na Mama Hilda, um hostal bem cuidado que tem uns chalés acolhedores com clima de fazenda(www.hostalmamahilda.com). Fomos recepcionados pela própria, uma senhora muito gentil, bem mãezona. A comida servida por ela era maravilhosa, destaque para o cordeiro assado com purê de mandioquinha. Até o João, que é meio difícil para comer, se esbaldou com tanta comida boa. Eles também oferecem passeios a cavalo e caminhadas ecológicas, já que o vilarejo não tem quase nada para se fazer. Nosso João conquistou uma fã, a Verônica, uma das cozinheiras.Ela ficou tão apaixonada que o levava para passear pela vila e para brincar com as panelas da cozinha. Chugchilán em breve estará mais acessível, pois a estrada será melhorada. Tomara que mantenha sua tranqüilidade. De cima de suas montanhas, em dias claros se pode avistar o litoral. É um lugar perfeito para ler um bom livro na lareira, comer bem e relaxar. Nosso retorno para Latacunga foi uma aventura. O único ônibus enguiçou e por sorte arrumamos uma carona numa picape. Mais uma vez Ana e o João foram dentro da cabine e eu dividi a caçamba com um turista americano, sacos de milho e caixas de banana. Não foi nada fácil viajar mais de quatro horas sentado em um saco de batatas. Fazia um frio tremendo e para completar caiu um senhor temporal. Quando estávamos quase chegando o americano e sua companeira ainda vomitaram as tripas, acho que ar puro não faz bem para eles. Em Latacunga nos recuperamos das seqüelas de Quilotoa loop no conforto do Hotel Central. Dona Viola, a proprietária libanesa, nos serviu um café colombiano revigorante e nem ficou brava quando o João quase destruiu seus bibelôs de porcelana.
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Quito e seus encantos
É muito bom chegar numa cidade grande depois de uma temporada em pequenos povoados e vilarejos, ainda mais quando a cidade é Quito. Nos hospedamos no centro histórico, que é lindo de morrer. Nessas cidades sempre aproveitamos para repor o estoque de fraldas, cremes e potinhos de comida do João. Quito é encantador e surpreendente, a cada esquina há um prédio mais bonito, uma igreja mais perfeita ou um museu mais interessante. Quando chegamos `a Plaza Grande pela primeira vez, estava tendo uma grande manifestação. As pessoas gritavam e cantavam, protestando contra a ditadura. Fachas e cartazes lembravam os desaparecidos políticos. Num palco montado em frente a catedral se apresentavam bandas de rock e grupos de música tradicional. Ficamos um tempo por ali observando e de repente em meio a uma correria de seguranças e policiais passou pela nossa frente o presidente andando em direção ao palco onde faria um discurso. Foi aplaudido e vaiado. Enquanto isso, nosso pequeno aproveitava para treinar seus passinhos, andando de mãos dadas com a gente e também dançava ao ritmo da música. Brincou um monte nos jardins da praça e depois dormiu sem perceber todo o engajamento político do evento. Toda a imprensa estava ali e no dia seguinte foi primeira página dos principais jornais locais. Mais uma vez João participando de tudo... Almoçamos num simpático restaurante no centro antigo e ele se deliciou com uma sopa de milho. Caminhamos muito pela cidade e o Joãozoca conheceu a parte nova também, onde se divertiu num parque imenso cheio de crianças e brinquedos. Também nos divertimos por tantos cafés e livrarias maravilhosas. Não resistimos a uma sorveteria famosa que existe desde o século dezenove e até o João experimentou um sorvete delicioso de mora, uma fruta tipo framboesa. Ao contrário do que muitos pensam, os famosos chapéus Panamá são fabricados no Equador e não no Panamá. Entramos em algumas lojas, como a Homero Ortega e ficamos desfilando e experimentando os diversos tipos de chapéus. Difícil resistir, mas não teríamos como carregá-los sem que chegassem destruídos no Brasil, uma pena... Em Quito os preços variam de US$ 10,00 a cerca de US$ 600,00. Mais tarde caiu uma chuva danada e só nos restava sair correndo para o hotel. Apesar do tempo nublado e com muita chuva que nos acompanhou durante todo o tempo no Equador ficamos bem tristes ao deixar Quito e seguir em direção `a Colômbia.
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Farc, ônibus enguiçado e notas falsas, enfim Colômbia !
Saímos de Quito debaixo de um temporal e depois de viajar cinco horas por vales, montanhas e precipícios chegamos a Tulcán, onde tomamos um táxi até a imigração de Rumichaca. Na fronteira da Colômbia, quando estávamos carimbando os passaportes, nos deparamos com muitos cartazes tipo “procura-se”, com as fotos dos comandantes das Farc estampadas e uma recompensa milionária. O clima da fronteira estava tranqüilo, apesar da presença de tropas do exército. Depois de trocar dólares por pesos colombianos tomamos outro táxi para Ipiales, a primeira cidade na Colômbia. Chegamos a noite e como estávamos muito cansados decidimos dormir para continuar viagem pela manhã. Quando entramos no hall do hotel, todos estavam hipnotizados com a chamada ao vivo na tv. As Farc haviam libertado Clara e Consuelo, duas prisioneiras que estavam seqüestradas há seis anos. Os colombianos ficaram felizes, emocionados e com mais esperança em um possível acordo pacífico entre o governo e os guerrilheiros. Quando a fome apertou, saímos para jantar e quando fui pagar a conta me informaram que o dinheiro era falso. Descobrimos que na fronteira nos passaram algumas notas falsificadas. Nos disseram que por aqui é comum dinheiro falsificado e que, ironicamente, não poderíamos fazer nada com as notas, a não ser guardá-las de recordação. Ficamos furiosos, mas fomos dormir rindo da situação. No dia seguinte partimos cedo para Popayán num ônibus caindo aos pedaços. A viagem que duraria oito horas se prolongou por mais uma hora, pois enguiçamos três vezes. A cada vez o pobre motorista descia do coletivo, vestia um macacão de mecânico, pegava umas ferramentas e se enfiava debaixo da carroceria para tentar reparar o motor. Parecia ser um procedimento rotineiro. Até que foi bom, pois a cada parada eu descia para o João engatinhar um pouco na grama da beira da estrada e respirar ar puro(foto). Tivemos que trocar de ônibus em Pasto porque o nosso pifou de vez. Nos colocaram em um outro que seguia para Cali, só que já estava cheio e não havia assentos juntos. A Ana reclamou dizendo que não poderíamos viajar com um bebê em assentos separados. Rodou a baiana e acabou não só resolvendo o nosso problema. Ela também arranjou poltronas juntas para um casal de indígenas que viajava com a filha pequena e que estavam sendo totalmente ignorados. Depois nos agradeceram muito. Continuamos a viagem até uma blitz do exército. Um oficial fardado pediu que todos passageiros homens descessem do veículo para uma revista. Desci com o João no colo e fui poupado da batida enquanto os outros homens eram apalpados até a alma. Mais a frente ainda paramos para almoçar e o João comeu com gosto uma ótima carne assada. De volta ao ônibus ainda assistimos um filme, dormimos e o João brincou com umas meninas antes de finalmente chegarmos em Popayán. A viagem foi longa, cansativa e intensa. Desde que entramos neste país já aconteceu de tudo. Assim é a Colômbia, muito inquieta, complexa e pulsante!
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João andando e as touradas em Popayán
Desde o Peru o João está ensaiando seus primeiros passos, mas aqui ele realmente começou a caminhar. Na noite que chegamos, depois de passar nove horas no ônibus ele chegou cheio de energia para gastar, ao contrário de nós. No quarto do hotel, para nossa surpresa, ele simplesmente saiu andando. Ficou todo satisfeito quando percebeu que tinha andado e não parou mais, ficou indo e vindo de uma parede até a outra. Fomos dormir emocionados. No dia seguinte no café da manhã, de novo lá estava ele todo concentrado se equilibrando e andando de uma mesa para outra. Popayán é um charme, uma cidade colonial maravilhosa, com um casario todo em branco. Aqui ainda se respira um certo ar da época das grandes fazendas colombianas. Chegamos no fim de semana de aniversário da cidade, havia festa para todo lado. Bailes de salsa, orquestra na rua e de noite vimos uma grande queima de fogos de artifício. O João ficou maravilhado com as cores e explosões dos fogos, nem se assustou com o estrondo ensurdecedor. Toda tarde paramos para tomar um delicioso café colombiano. São diversos tipos de grãos, um melhor que o outro. Aqui fomos a uma tourada na pequena plaza de toros da cidade. O João entrou dormindo e quando acordou no meio da arquibancada com todos assistindo e batendo palmas ficou muito curioso. Nunca tinha visto alguém de um ano de idade tão interessado em tourada. Seu olhar acompanhava o touro e toureiro por toda arena. A segunda parte da tourada era para crianças. Foi bem bizarro, tinha toureiros anões, palhaços, homem aranha e até os Simpsons. Uma avacalhação total, mas foi divertido. Não sei se por a comida daqui ser a mais parecida com a do Brasil mas o João anda comendo barbaridades. Ovos mexidos com pão integral, iogurte com granola, milho na brasa, maçã e pêra raspada e feijão com arroz e carne. O rapaz está com um apetite de leão. Tomara que continue assim.
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Guambianos em Silvia

Subimos a montanha novamente com destino a pequena cidade de Silvia. É famosa por ser a cidade mais próxima da reserva dos índios Guambianos. Eles são muito elegantes, se vestem de uma maneira muito original, diferente de tudo que já havíamos visto. São muito desconfiados, foi bem difícil fotografá-los. Sempre que pedíamos permissão para um retrato riam envergonhados e logo se afastavam. Eles também carregam as crianças e bebês nas costas, amarrados apenas por uma fita linda toda feita em tear artesanal. Nossa estadia coincidiu com o dia da feira, quando eles saem da comunidade para comercializar seus produtos e comprar mantimentos. A praça central da cidade se transforma num verdadeiro mercado ao ar livre. A feira normalmente acontece num galpão enorme que está fechado reformando. Achamos até rapadura, que logo compramos para matar a saudade do Brasil. O meio de transporte mais popular por essas bandas é a chiva, aquele ônibus todo colorido que é cartão postal da Colômbia. Todos viajam e levam o que bem entendem nas chivas. O vale da cidade é cercado de rios lindos, a região tem muita água. O João continua comendo muito bem, aqui ele se fartou com as maravilhosas trutas defumadas.
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Vários cenários em Cali
Quem nunca ouviu falar em Pablo Escobar ou Medellín e Cali, cidades famosas por seus cartéis criminosos e narcodólares. Agora está tudo bem mais tranqüilo, não que o crime não exista mais, só não é tão explícito. Todas pessoas nos aconselharam ter muito cuidado quando falávamos que Cali estava no nosso roteiro. Cautelosos e apreensivos chegamos a cidade tarde da noite e seguimos para um hotel no centro. Apesar do lugar parecer com a cracolândia, na região central de São Paulo tudo aparentava estar seguro. Quando a fome apertou até arriscamos ir comer numa lanchonete quatro quadras adiante. O cenário decadente, parecia com filme de apocalipse ou quadrinhos underground. Hotéis baratos, sinucas, casas de bingo, botecos, cassinos e prostíbulos em geral. Tudo repleto de seus respectivos personagens moribundos e decrépitos. Felizmente se tratava de uma decadência muito civilizada, todos nos respeitaram e assim comemos e voltamos para o hotel ilesos. No hotel sim as coisas se complicaram um pouco. O João dormiu logo e nem percebeu o som altíssimo do baile de salsa que havia em frente. Para tirar a paz da Ana apareceram algumas baratas. Nada demais, daquelas pequenininhas, mas foi o suficiente para aterrorizá-la. Meu bom humor só acabou quando estava assistindo um filme na tv a cabo enquanto a Ana tomava banho. Lá pelas tantas percebi que a água escorria por baixo da porta do banheiro como uma cachoeira. Era tarde, o quarto já estava inundado. Nossas mochilas quase flutuaram pelo chão com todo aguaceiro. Nossa cama virou uma ilha, o único lugar seco do quarto. Mesmo com todo caos, estávamos tão cansados que nem reclamamos na recepção, seria pior fazer uma mudança aquela altura. Mais uma vez rimos da situação tragicômica e dormimos. No dia seguinte nossa péssima impressão da cidade mudou, Cali se mostrou interessante. Saímos para passear e tudo estava bem diferente da noite anterior, bem mais organizado. Apesar do trânsito caótico e correria rotineira típica dos grandes centros, andamos pelas ruas e praças e o João se divertiu com um cara vestido de estátua viva. Até ganhou uma pulseira com as cores da Colômbia quando botamos uma moeda no seu chapéu. Ele ria sem parar e o cara até perdeu um pouco sua concentração de estátua. Depois de Cali resolvemos dar um tempo de cidade grande. A saudade do mar apertou, então compramos passagens aéreas para o caribe e tomamos um táxi para o aeroporto.
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Bem vindos `a Cartagena de Índias
Chegar a Cartagena de avião é lindo, a vista da cidade de cima é espetacular com suas praias, baias e lagoas. Aqui ficamos no simpático centro antigo, no pitoresco bairro de Getsemaní, um lugar muito interessante com casarões centenários e ruas estreitas. Nunca estive em Havana mas acho que deve ser o mesmo clima. Muita gente sorridente na rua, todos felizes e muita música no ar. Decidimos ficar longe dos bairros modernos para fugir da multidão de turistas, afinal estamos bem no meio da alta temporada. O calor daqui é comparável ao do Rio de Janeiro. Chegamos de tardinha e corremos para praia. A praia de Bocagrande é uma festa, não é muito boa, mas era a mais perto para dar um mergulho. Estava lotada, turistas por todo lado. Não é o melhor lugar para relaxar, todo tempo vendedores oferecem algo. Duas mulheres nos cercaram e queriam, quase que `a força fazer uma massagem. A Ana cedeu e acabou fazendo meia hora de massagem, diz ela que muito boa. Os locais são muito simpáticos, mas fiquei um pouco chateado com todo aquele assédio. Aqui as vendedoras de fruta são uma instituição, como as baianas de Salvador. São negras lindas que passam com suas roupas coloridas e sempre um sorriso largo no rosto e uma bacia de frutas equilibrada na cabeça. Muito caribenho. As cocadas daqui são maravilhosas. O João assim que chegou fez a festa brincando na areia e depois, pelado, se enfiou no mar quentinho e transparente. Foi muito bem vindo ao mar do Caribe. Não quer outra vida. Uma curiosidade é que aqui a praia “fecha” as seis da tarde. Não acreditamos, mas é serio, depois do por do sol quando chega a hora aparecem guardas soprando seus apitos e expulsando todo mundo. Meio surreal, mas é lei da cidade, por medidas de segurança. No outro dia fomos conhecer o centro histórico, que é cercado por muralhas ou como eles chamam por aqui “ las murallas”. É uma viagem no tempo perambular por essas ruas, praças e igrejas. Cartagena é a cidade mais antiga da Colômbia, foi o principal porto espanhol na américa. Para sua proteção foram construídas as tais muralhas e muitos fortes, pois foi durante muito tempo alvo de piratas. A história naval dessa cidade é um capítulo `a parte. O centro histórico é inspirador e lindo demais, não tenho palavras para descrever. Gabriel Garcia Márquez que o diga. |
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Comédia no Caribe
Fomos a maravilhosa ilha Barú, um paraíso do Caribe.Lá ficamos na praia Branca a uma hora de lancha de Cartagena. Sensacional,a areia branca e água verde cristalina, lindo, lindo! João brincou muito na areia, pelado, e mergulhou muito também. Uma dica legal para chegar lá é procurar o mercado Bazurto, de onde saem barcos pela manhã que levam os moradores locais de uns povoados próximos `a ilha por menos da metade do preço dos pacotes turísticos, que na baixa estação custam cerca de US$ 20,00 por pessoa. E também é possível ir por terra, num trajeto que leva cerca de uma hora. Chegamos pela manhã e decidimos ficar só lá. O pacote turístico incluía visita em outras ilhas e a um aquário, mas preferimos aproveitar mais tempo na praia branca, pois era o que mais nos interessava e já sabíamos (conversando com uma brasileira que conhecemos no nosso hotel no dia anterior) que era o melhor do passeio. João se esbaldou! De manhã cedo, o mar parecia uma piscina, perfeito para crianças e aquela água transparente, limpíssima e quente do Caribe nos seduzia muito. Assim como eu, nosso pequeno adora uma água e logo quer se meter. Fiquei um longo tempo com ele dentro d’agua e ele era só sorrisos. Depois conhecemos vários personagens locais interessantes e almoçamos um delicioso peixe fresquinho, com arroz de côco e salada. Mais uma vez Joãozoca mandou ver, comeu bastante. O dia estava lindo, um sol incessante, sem qualquer nuvem no céu e a gente só aproveitando aquela tranquilidade antes dos barcos com centenas de turistas atracarem na ilha. Mergulhei muito e quase fui atropelada, em pleno paraíso... Rrrrrrrsssssss É! Um jet ski desgovernado por um aborrecente quase me pegou... Foi louco, tudo muito rápido. Eu estava boiando, no maior relax naquele lugar alucinante, só ouvi um berro e uma cara da pavor do moleque dirigindo na minha frente, só tive tempo para abaixar a cabeça e ele passou muito grudado... Anfan, não foi desta vez... Ainda fiquei na água um tempo sem entender direito o que tinha acontecido. Só conseguia pensar, aliviada, que o João já está comendo super bem, graças a Deus, então, que não teria uma adaptação muito traumática em sua alimentação... Rrrrrrrrsssssss Anfan, foi um grande susto apenas!!!!!! Um pouco antes de sair d'agua vi o Ferdinando vindo em direção ao jet ski, que agora estava estacionado na areia com os adolescentes (eram dois, um na garupa) e o homem local responsável pelo aluguel. Ferdinando esbravejava, questionando a (ir)responsabilidade daqueles jovens que não sabíam dirigir e quase me acertaram em cheio... A única coisa que todos conseguiam fazer era pedir desculpas. O moleque estava muito assustado também, fiquei com pena, afinal, nada de grave tinha realmente acontecido comigo, ficou no quase... Mais uma vez, muita proteção divina de plantão, como sempre!!!!! Joãozoca estava na barraca na areia, brincando e sem perceber toda a situação, melhor assim... Fiquei orgulhosa da defesa, reação tão enérgica e incisiva do Ferdinando, mas não consegui dar uma palavra, brigar, gritar, qualquer coisa com os sujeitos. Fiquei pensando um pouco na vida, que estava bem forte em meu corpo, mas nada muito denso, afinal, tudo continuava inteiro, nada de dramas irreais! Agradeci e até ri... Acho que estava meio em estado de choque, no meio do paraíso... Tragicômico! Rrrrrrssssss Em seguida comemos uma deliciosa cocada para esquecer tudo e resgatar o sabor e a tranquilidade que estávamos vivendo naquela praia belíssima. Não mergulhei mais, mas também já estava quase na hora de partir, mas para Cartagena para podermos continuar a nossa viagem juntos, com alguns sustos pelo caminho, mas muita risada também... Joãozoca voltou dormindo profundamente na lancha, apesar do mar agitado. Estava cansado e feliz pelo dia solto num lugar tão lindo!
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| Sobre o Blog |
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Fernando Martinho e sua mulher Ana Paula, ambos fotógrafos, contam as aventuras e os desafios de viajar pela América Latina com um bebê de dez meses na mala. |
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