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Festa e feira em Zumbahua

Partimos de Latacunga em um ônibus daqueles coloridos e muito velhos, típicos daqui .Estava lotado, com galinha, porco,carneiro, sacos de batatas, milhos e muitos indígenas equatorianos. Éramos os únicos turistas e só se falava quéchua na viagem de duas horas até Zumbahua. A estrada é linda, passamos por vales cercados de montanhas que pareciam colchas de retalhos. Tudo cultivado com plantações em diversos formatos e cores. Aqui no Equador as mulheres indígenas são muito bonitas e elegantes, adoram cores fortes. Desde crianças usam chapéus com plumas de pavão e colares dourados. Os homens estão sempre com seus ponchos de lã. Em Zumbahua ficamos sabendo que haveria uma feira e uma festa no dia seguinte. Nos hospedamos em um hotel gerenciado por indígenas. O nosso quarto era engraçado, todas pessoas que passavam nos viam e brincavam com o João através das paredes envidraçadas. Privacidade zero, parecia que estávamos em desses big brother da tv. Ao amanhecer a pacata vila se transformou num formigueiro de gente. A feira era realmente intensa, muitas pessoas vinham dos arredores para vender, comprar ou trocar mercadorias. Frutas, roupas, comidas, utensílios domésticos e uma impressionante seção de animais. Se vendia de tudo. Fotografamos loucamente e o João, como sempre fez muito sucesso. Por onde passávamos todos falavam e brincavam com ele. Quando fomos tomar café as nove da manhã o restaurante já estava lotado de gente almoçando pollo(frango) com arroz. A tarde começou a festa de “Mama Negra”, muito animada e parecida com nosso carnaval. Muitos homens vestidos de mulher e com a cara pintada de preto dançavam junto com mulheres com saias coloridas ao som estridente de uma banda. Muitos mascarados espirrando água nas pessoas. Tudo regado a muito “trago”, uma cachaça artesanal de cana de açúcar. Essa festa dura três dias. Passamos o dia fotografando e conversando com os simpáticos equatorianos. O João passeou muito pela feira, viu muitos bichos, sentiu todos cheiros das comidas e ficou encantado com a música e dança da Mama negra. Ficou impressionado com as máscaras coloridas. Com tantas novidades nosso pequeno viajante dormiu feito uma pedra a noite. Muita informação para um dia só. Dormimos exaustos e felizes com toda intensidade da feira e festa na cabeça.
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Incensos em Baños
Decidimos comprar uma caixa de incensos para espantar as “urucas”depois do grande susto que levamos na noite de reveillon. Nessa noite o João despencou de cima da cama e bateu direto com a cabeça no chão. Quando o peguei no colo o pequeno revirou os olhinhos e desmaiou por alguns segundos. Fiquei em pânico nesses longos segundos e se não tive um treco qualquer do coração naquela hora, não devo ter nunca mais. Foi o maior susto que tivemos com ele. Passamos a virada do ano meio chocados apesar de não ter sido nada sério, ele só cortou a língua. Já tinha conversado com o pediatra dele sobre o quanto as crianças são resistentes e depois desse tombo acredito plenamente que esses pequenos seres são projetados com uma estrutura antichoque poderosa (também tenho fé que o anjo da guarda estava de plantão...) Muitos incensos depois chegamos em Baños, uma linda cidadezinha encravada na base de um vulcão ativo de 5.016 metros. Primeiro achamos estranho chegar num lugar que tem estradas e vias que servem de saídas de emergência, mas depois de ver o monstruoso vulcão soltando baforadas dantescas de fumaça tão perto percebemos o perigo real. A última erupção do vulcão Tungurahua foi em agosto de 2006 quando as estradas foram destruídas e a cidade evacuada. Que medo! Até nosso guia aconselha checar o site de uma instituição internacional que monitora vulcões antes de viajar. Confesso que foi difícil pegar no sono na primeira noite, fiquei com as imagens da erupção na cabeça.Depois que relaxamos até alugamos uma moto para ir a uma montanha perto com vistas maravilhosas do vulcão. Achamos que o João poderia ficar assustado com o barulho da moto, mas ele até dormiu durante o passeio e quando acordou no alto da montanha era só sorrisos. Nos divertimos muito. Tudo voltou a dar certo e por garantia continuamos queimando incensos todos os dias. (e contando com os anjos da guarda...)
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Pé na estrada
Coincidência ou não, começamos o ano na estrada. Logo no dia 1 saímos de Riobamba em direção a Baños. Na verdade, desde o dia 30 de dezembro que estamos viajando. Imaginamos que só a gente estaria sobre rodas, mas o ônibus estava lotado nesse dia e em todos os outros também. Nessa última semana passamos por mais ou menos nove lugares, ficamos em uns seis hotéis diferentes, conhecemos umas trinta pessoas, pegamos uns seis ônibus, duas caminhonetes, dormimos em umas sete camas, tivemos dias de sol, chuva, nublados, com muita neblina, muito calor, frio, passamos por altitudes que variaram entre 1.400 a mais de 4.000 metros, vimos vulcões, montanhas, lagoas, cidades grandes, vilarejos pequenos, festas, bandas, feiras, bonecos, palcos com música eletrônica, pessoas usando máscaras, dançando, muitas cores, roupas típicas, sentimos diversos cheiros diferentes nas ruas, conhecemos lugares os mais diversos e todos muito interessantes. Nosso roteiro desde o dia 30 foi: Cuenca – Riobamba – Baños – Latacunga – Zumbahua – Quilotoa – Zumbahua – Chuchilan – Zumbahua – Latacunga e não se cansem, porque hoje ainda seguimos para Quito. Pelo menos, as distâncias aqui no Equador são bem menores e o João nos acompanhou em cerca de vinte e duas horas e meia em ônibus e caminhonetes com muito bom humor e na maior parte do tempo dormindo profundamente. Passou por uns quinze colos diferentes sem estranhar quase ninguém e distribuiu sorrisos para todos. Viu animais os mais diversos como lhamas, porcos, galinhas, ovelhas, carneiros, cachorros, gatos e tentou brincar com todos, mas muitos fugiam com medo do nosso pequeno arteiro. Se comunicou em mais de cinco línguas e sempre com muito êxito. E agora vamos contar um pouco dessa semana que foi bastante intensa. Não conseguimos parar para escrever antes, vcs podem imaginar por quê! e muitos dos lugares que conhecemos não tinham nem internet, outro mundo... |
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Feliz ano novo
Estamos em Riobamba, no altiplano central do Equador. A cidade fica no meio dos maiores vulcões daqui, entre eles o imponente Chimborazo, o mais alto do país. Daqui parte o famoso trem que desce o desfiladeiro “Nariz del Diablo”, só que ele segue para o sul e nós estamos indo para o norte e não podemos mais perder muito tempo. A viagem de Cuenca até aqui foi linda, foram seis horas passando por vales e vilarejos indígenas. Aqui o reveillon promete ser animado. A festa será nas ruas onde foram armados muitos palcos. Uma tradição bem legal do Equador são os bonecos do reveillon. As pessoas compram ou fazem uns bonecos bem coloridos de papel marche, que representam o ano velho. Tem de todos tamanhos e tipos: super heróis, personagens de desenhos animados, de novelas e seriados e até Bushs, Saddans, Ronaldinhos e Hugos Chávez. Eles são destruídos na virada para trazer boa sorte no ano novo. A cidade fica divertida com esses bonecos por toda parte. O João se divertiu muito com eles quando fomos ao mercado. Não sabia com qual brincar primeiro e alguns eram bem maiores que ele. Aliás ele já está curado da alergia mas continua lutando na hora de tomar o remédio. Estamos num hotel bem bonito, as suítes ficam ao redor de um lindo e florido jardim. Aqui o João já tem uma nova amiga para passar o ano novo. É a Laila, uma buldogue francesa muito simpática que foi adotada pelos donos do hotel depois de ser abandonada por um turista. Ela dá cada lambida que o João até estremece. Nossa festa será aqui mesmo, vamos preparar um arroz com lentilhas, uma salada de frutas e comemorar com um bom vinho chileno. É isso, vou ficando por aqui, ano que vem tem mais. Feliz ano novo para todos, muita luz e paz.  |
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Susto em Cuenca
Nossa passagem pelo Equador tem sido um pouco turbulenta. Ao mesmo tempo, estamos tentando aprender com todas as dificuldades que tem acontecido para poder crescer um pouco. E quem sabe reverter as situações para que possamos nos fortalecer também. Afinal, vida que não tem problemas não existe, não é mesmo?! E no meio de uma viagem o jogo de cintura e a paciência tem que ser maiores ainda. Afinal, não temos a estrutura e o conforto da nossa casa, cidade, família e os amigos por perto. O fato é que de repente começaram a aparecer umas irritações vermelhas na pele do João. Primeiro só um pouco em seu rosto e depois foi alastrando por todo o corpo. Como isso aconteceu no fim da tarde e logo depois sumiu esperamos até o dia seguinte, sempre observando para tomar alguma providência. Na manhã seguinte voltaram a aparecer. Resolvemos, então, buscar um médico e tivemos uma indicação do dono da pousada onde estamos hospedados. Um simpático dermatologista, que examinou o João e nos explicou que era uma reação alérgica a alguma picada de inseto ou a alguma comida, nada mais grave. Prescreveu um anti-alérgico, uma pomada e com muita calma respondeu todas as nossas perguntas. Apesar da consulta ter sido rápida saímos mais tranqüilos e aliviados, pois a essa altura já estávamos imaginando que podia ser algo pior como sarampo ou alguma dessas doenças... Explicamos que como estamos viajando o João não tomou a vacina de um ano, mas que essa foi uma decisão discutida com o seu pediatra no Brasil antes de partirmos. Ele nos indicou um pediatra e um hospital para buscarmos a vacina e inclusive fez o contato para nós. A essa altura eu já estava sentindo a maior falta do seu querido pediatra em São Paulo, que tem uma relação muito amorosa com o João e com a gente também. De qualquer forma, ficamos mais seguros por saber que estávamos lidando com profissionais conhecidos. Ao chegarmos no hospital, público, nos identificamos e fomos atentidos primeiro por duas enfermeiras que estavam bastante afobadas, mas mediram o João, tiraram sua temperatura e seu peso, mesmo estando de camisa e fralda. Ele já cresceu 2,5cm, mas não engordou. Um clima de hospital e o pequeno João chorou muito e estranhou todas aquelas pessoas. Logo depois o pediatra nos recebeu em pé mesmo e foi examinando o João, fazendo várias perguntas e acabou dando o mesmo quadro – reação alérgica a algum inseto ou a algo que tenha comido. A nossa maior dificuldade com o João nessa viagem é a alimentação. Na verdade, desde antes de sairmos do Brasil já lutávamos com o nosso pequeno. Ele demorou um pouco a começar a se interessar por comida, sempre preferindo as mamadas, mas mesmo depois que começou a comer não tem uma regularidade. Come o que quer quando quer, o restante até experimenta, mas cospe em seguida. Não aceita várias coisas comuns aos bebês como banana, maçã, muitas sopas, sucos, ..., enfim, uma novela. Mas `as vezes nos surpreende comendo frutas exóticas, peixe, macarrão, pão, mandioca, iogurte etc No dia que apareceram as bolotas vermelhas em sua pele ele não tinha comido praticamente nada. Todo dia não cansamos de oferecer mil possibilidades para ele, que `as vezes são aceitas outras não. Mas imaginamos que a causa foi um inseto. Tentamos explicar tudo isso para o pediatra, que fez um longo e duro discurso a quinze centímetros de distância de mim. Falou muito sem sequer nos conhecer ou ter participado da vida do João, que nessa hora, mesmo estando no meu colo, não parava de chorar. Ferdinando ficou bravo e disse que ele estava sendo muito severo comigo. Eu, com esse meu jeito “mineira” de ser, não consegui reagir, fiquei ouvindo e ao final, estava bastante abalada, bem desnorteada, pensando mil coisas, questionando a minha atuação enquanto mãe, ..., enfim, quase não conseguia nem conversar. O rude pediatra falou muito sobre a importância da alimentação na idade em que o João está, da nossa responsabilidade enquanto pais e explicou que não poderia vaciná-lo nessas condições, que ele teria que ser tratado antes. Mas em momento algum quis ouvir qualquer coisa, só vomitar o seu imponente discurso. Perdida como eu estava só conseguia pensar no querido Cacá, que tem acompanhado o João desde o seu nascimento com tanto amor e cuidado e sabe exatamente das nossas dificuldades, mas sempre registrou o contínuo crescimento e ganho de peso do João, mesmo diante de sua “resistência” `as comidas. Pensei também no dr. Gabriel que apesar de ter nos visto apenas uma vez tem sido um grande amigo e tem nos dado um apoio enorme, trocando vários e-mails comigo e tendo a maior atenção durante toda a nossa viagem. Cheguei `a conclusão que o melhor a fazer era tentar falar com eles, pois apesar da distância queria ter uma confirmação sobre o tratamento dado e queria poder perguntar e ouvir profissionais que conhecem e tem envolvimento com o João. Conversei longamente com o Cacá e só depois disso consegui ficar mais aliviada e segura. Ele explicou muita coisa e me tranqüilizou também. Ferdinando, ao perceber que eu estava mais leve, questionou a minha falta de reação no hospital e falou que eu não podia ter embarcado na “loucura” daquele médico. De qualquer forma, acho que foi possível filtrar algumas coisas que foram ditas e descartar muitas outras também. Ao final do dia compramos a medicação, sem cortisona, e preparamos um tremendo espaguette apenas com tomates frescos e o João se esbaldou. Não queria mais parar de comer! Comeu muito e ainda chupou algumas tangerinas, contrariando tudo o que tinha acontecido... E hoje, pela manhã, ele já está bem melhor, as bolotas sumiram e ele dorme um sono de anjo enquanto eu aproveito para deixar de vez nessa tela toda a agitação de ontem...
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Chuva e rabiscos no Equador
Em Cuenca pegamos muita chuva. Quase não saímos do hotel. O João ganhou papel e giz de cera. Pois dias atrás, ainda em Máncora, ele fez seus primeiros rabiscos. Achou uns palitos de fósforo usados e quando vimos já tinha feito uns pequenos riscos no chão. Com giz de cera sua arte ficou mais elaborada. A Ana mostrou como se fazia e ele rapidamente aprendeu. Adorou! Com muita determinação e segurança fez milhares de riscos e rabiscos de todas as cores, seu primeiro desenho. Como pais corujas ficamos conversando sobre suas possíveis referências... rrrrrrrssssssss Achamos que seu traço tem um pouco de Matisse ou Miró. Quando a chuva dava uma acalmada aproveitávamos para caminhar pelas ruas. Numa dessas caminhadas despencou um temporal e o João se esbaldou! Foi seu primeiro banho de chuva. Lembrei muito da minha infância... Enquanto a gente corria para não ficarmos ensopados, ele olhava para o céu extasiado, prestava a maior atenção na água caindo, levantava as mãos e ria, ria, soltava largos sorrisos e tentava pegar a chuva. Ele sim se divertiu!!!!!!! E como sempre, nos ensinando a tirar alegria das coisas mais simples, dos momentos mais comuns... Sábias crianças!!!!!!! Mas agora estamos torcendo para sair um sol. Temos muito a conhecer por aqui. (Fernando e Ana) |
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Roubada na fronteira
Já tinha lido no guia que a fronteira do Peru com o Equador era uma das mais perigosas, mas mesmo com muita cautela fomos trapaceados. Seguíamos de van para a cidade de Tumbes para tomar um ônibus e cruzar a fronteira rumo `a cidade equatoriana de Machala e depois para Cuenca. De repente, em um cruzamento, entraram dois homens nos perguntando se iríamos para o Equador e que poderiam nos levar. Num primeiro reflexo disse que não iríamos com eles e depois que um deles se sentou ao meu lado e explicou que a fronteira estava fechada por protestos e que nenhum coletivo peruano estava atravessando resolvemos aceitar precipitadamente. Fomos pegos de surpresa! Ele me disse que sua agência faria o translado por apenas seis dólares . Ele me pareceu confiável; vestia um colete de guia turístico e portava até um crachá. Concordamos e em segundos já estávamos num táxi com os dois “guias” e o motorista. Em todo trajeto até a aduana foram falando em assaltos, seqüestros e subornos. Então, me liguei que havíamos entrado numa roubada, estavam tentando nos assustar. Pelo menos, vi que não se tratavam de assassinos ou seqüestradores, pois iam falando com todos pelo caminho - eram conhecidos. Quando paramos na aduana peruana, nos disseram que teríamos que pagar taxas de até trinta dólares pra carimbar o passaporte. Contestei, dizendo que esse serviço não era pago e consegui os carimbos de graça. Seguimos no táxi e o motorista que até então não tinha falado nada começou a dizer que só conseguiria passar com o carro, pagando propinas aos guardas da fronteira e que ali só o dinheiro mandava. Pagou alguns guardas na cara de pau que nos deixaram passar. Nessa altura só nos diziam pra não soltar o João, guardar tudo de valor e ter muita atenção com os passaportes. Achei tudo meio ensaiado e mesmo quando cruzamos uma rua sem saída lotada de gente e ambulantes e paramos num terreno baldio não ficamos com medo. Sabia que seria a hora que pediriam seu preço. Nesse momento os dois guias se calaram e só o motorista falou. Percebi que ele era o cabeça. Queria oitenta dólares pelo seu “ serviço”. Respondi que não pagaria e que era um roubo. Discutimos e saímos do carro. Vi que não havia viva alma por perto, só um policial fardado que assistia a tudo sem dizer uma palavra, só esperava pela parte dele. Me dei conta que estávamos rendidos e parei de gritar. Negociamos muito e conseguimos chegar em cinqüenta dólares por tudo, incluindo as passagens do ônibus que pegaríamos. Sabia que era um roubo, mas não tinha alternativa. Poderia ser bem pior se tivéssemos entrado na deles. Paguei e seguimos caminhando por umas ruelas, já do lado equatoriano, com eles nos ajudando com os mochilões até um terminal rodoviário. Com as passagens na mão colocamos as bagagens no ônibus e finalmente ficamos livres dos três picaretas. Eles ainda quiseram uma gorjeta por carregarem as mochilas. Disse que não pagaríamos nem mais um centavo e que não queríamos mais ver suas caras. Entramos em outro táxi pra ir carimbar as entradas na aduana do Equador aliviados por termos deixados os ladrões para trás. Depois seguimos por cinco horas montanha acima até a adorável cidade de Cuenca. O João que assistiu a todo nosso drama ficou firme e forte todo o tempo no colo da Ana. Porém, depois desse clima tenso, vomitou bastante durante a viagem. Nada sério, depois dormiu e acordou todo sorridente na chegada. Apesar do episódio ficamos felizes por não ter acontecido nada grave e por chegar ao Equador. Os nossos anjos da guarda estão de plantão! Ao contrário dos outros posts este não tem foto. Foi só uma experiência bastante desagradável que conseguimos superar juntos e aprender que precisamos ficar mais atentos a tudo e a todos... |
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Tranquilos em Máncora
Tomamos mais um ônibus noturno em Trujillo pra Máncora, um pequeno vilarejo com praias lindas no norte do Peru. Esse foi o pior de todos. Pra começar atrasou mais de uma hora pra sair. O bagageiro estava lotado, quase não coube nossas mochilas e o carrinho do João. Na saída entrou um daqueles vendedores de bala e começou a cantar músicas evangélicas aos berros e bater umas conchinhas bem do meu lado. Fiquei furioso, ainda mais que o João já estava dormindo. Tive que cutucar o sujeito pedindo que fosse mais pro fundo do ônibus ou cantasse mais baixo. A noite foi difícil, menos pro João que dormiu profundamente. As poltronas eram duras e desconfortáveis e quando finalmente consegui pegar no sono, acenderam as luzes anunciando a chegada. Tomamos uma mototaxi ( tipo rickshaw ) pra procurar hotel. Quando chegamos, enquanto tirávamos as mochilas do bagageiro demos um segundo de bobeira com o João e ele enfiou as mãos numa graxa preta da moto. Passou a graxa nojenta na roupa, na cara e no cabelo, uma meleca geral, `as 6 horas da manhã ! Depois de tanta encrenca fomos recompensados com uma praia maravilhosa. Nosso hotel fica de frente pro mar e aqui pela primeira vez a água não é tão gelada. Passamos o dia todo na praia, o João não quer outra vida, fica o dia inteiro pelado, com muito protetor solar, brincando na água e areia. |
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| Sobre o Blog |
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Fernando Martinho e sua mulher Ana Paula, ambos fotógrafos, contam as aventuras e os desafios de viajar pela América Latina com um bebê de dez meses na mala. |
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