10/12/2007

Valle Sagrado de los incas


Compramos um tour de três dias para o Vale Sagrado e Machu Pichu. Talvez essa seja a parte mais cara da viagem; tudo saiu por US$ 170 por pessoa. Machu Pichu está ficando a cada ano que passa mais caro. Optamos por comprar o pacote, pois não teríamos que nos preocupar em comprar os bilhetes de trem e ônibus, as entradas de Machu Pichu e das ruínas no vale sagrado e as duas noites de hotel em Águas Calientes. Se for por conta própria se pode economizar algo em torno de US$ 20, mas não vale a pena pela dor de cabeça. Existe o passeio de um dia, mas não dá pra curtir quase nada dentro de Machu Pichu e custa quase o mesmo. Enfim, partimos para o Vale Sagrado (foto com a menina linda) para a cidade de Pisac, que tem um centro colonial lindo, uma feira enorme de artesanato e uma antiga cidade Inca muito grande e impressionante. Aos domingos tem uma feira ainda maior, boa pra apreciar os costumes locais. A boa dica daqui, tanto do Vale Sagrado como de Machu Pichu é chegar bem cedo pra evitar a multidão de turistas. O João adorou Pisac, comeu muito choclo con queso (um milho branco de grãos enormes, com queijo) e se esbaldou escalando as milhares de pedras e escadas.
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07/12/2007

Flanando em Cuzco

Chegamos a Cuzco exaustos, depois de oito horas dentro de um ônibus que parava em todos vilarejos pra pegar passageiros. Devíamos ter tomado o trem, que não faz paradas e é mais confortável. O João viajou muito bem, dormiu, brincou e até almoçou um prato de batatas com queijo. Quando se chega a Cuzco depois da Bolívia e Puno, parece que se chegou a Europa. Os restaurantes são ótimos, as pessoas bem vestidas e as ruas limpas e sem ambulantes. A cidade, com sua arquitetura colonial maravilhosa, igrejas imponentes e muitas praças charmosas é realmente linda. O João adorou todas as praças, quase entrou numa de suas fontes, engatinhou muito e brincou com as crianças locais até cansar. Tiramos o primeiro dia de folga e caminhamos pelas ruas sem rumo ou ajuda de guia, simplesmente pelo prazer de flanar e fotografar .

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06/12/2007

Bienvenidos a Peru

Nossa primeira parada no Peru, ainda na beira do lago Titicaca. foi em Puno. Saímos da Bolívia com festa e chegamos ao Peru com a festa de Orkapata(foto), com desfiles, música e muita dança. Que povo festeiro! Conhecemos um fotógrafo de Istambul que vive em Nova Iorque e já viajou o mundo inteiro. Segundo ele, na américa latina a energia das pessoas é mais forte que em qualquer outra parte, por isso se dança e festeja tanto. Grande figura, ficou super amigo do João. Eles brincaram e conversaram muito, em turco,quem diria! Mais uma língua no currículo do pequeno! Fomos visitar umas ilhas flutuantes em Uros. São umas ilhas construídas com totora, um tipo de palha que os locais usam para construção de casas, barcos,mesas, cadeiras, enfim quase tudo que necessitam. Essas ilhas eram habitadas por indígenas peruanos há séculos atrás. Hoje em dia as ilhas foram transformadas em atração turística tirando um pouco da sua originalidade. Meio pra gringo ver, sabe ? Mesmo assim, não deixa de ser bem interessante. Quando desembarcamos na primeira ilha, fomos recebidos por uma menininha linda toda vestida com roupas tradicionais, que ficou encantada com o João(foto). Fez a festa com ele e conversou sem parar. Detalhe: em quéchua. Mais uma língua! Mesmo com a chuva que despencou o João não queria entrar no barco, ficou fascinado com a ilha de totora.

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05/12/2007

João Peregrino

Na volta da Ilha do Sol, em Copacabana decidimos fazer um programa imperdível. Subir o morro do Calvário, um lugar de peregrinação que tem uma vista magnífica do lago Titicaca. Muitas famílias sobem esse morro pra pagar e fazer promessas. Durante a subida existem muitas ofertas religiosas e místicas: benzedores, xamãs, velas, imagens, defumadores etc. Um bom lugar pra fazer uma limpeza espiritual. Ficamos só com a vista mesmo, creio que já é suficiente pra purificar qualquer alma. Quanto aos pecados, já pagamos pelo menos uma boa parte, só de carregar o João durante uma hora morro acima a quase 4.000 m. Ele adorou esse passeio, não pela vista ou diversidade religiosa, mas pelas escadarias. Adorou escalar tantas escadas, não queria mais parar, e comeu algumas pedras também. Creio que uma forma de ele ir “sentindo” os lugares por onde passamos é justamente comendo algumas pedras. Não deixa passar um! Ficamos de olho mas ele sempre dá um jeito de mastigar umas pedras. Voltamos pro hotel já de noite, com um vento congelante e uma lua linda iluminando nosso caminho.
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04/12/2007
Trocando fraldas

Estávamos revendo e organizando as fotos e nos surpreendeu a quantidade de imagens em que estamos trocando as fraldas do João. Também são várias trocas por dia e cada hora estamos em um canto diferente. Já fizemos esse nobre serviço dos pais no jardim da casa de Pablo Neruda, no deserto do Atacama, no altiplano a quase cinco mil metros de altitude com os gêiseres a todo vapor, no meio do mato, em ruínas pré colombianas, com sol,chuva,frio, em praças, museus, mercados, restaurantes, avião, barco, ônibus, trem, jipe e até em vans lotadas. O maior stress do João é justamente a troca de fraldas , ele detesta mudar de roupa. Nem imagina que quando crescer terá tantas fotos pra recordar este momento em lugares tão inusitados. Essas fotos são fresquinhas, na ilha Sol.
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03/12/2007
Mergulho no Titicaca

Hoje resolvemos cumprir uma promessa que fizemos desde que chegamos à ilha , mergulhar nas águas gélidas do lago. Pegamos uma trilha linda pra descer até uma praia na enseada de Kona , um dos lugares mais bonitos da ilha. Cada vez que cruzávamos um grupo de burros carregados subindo tínhamos que nos encolher no cantinho pra dar passagem. O João se divertia com o barulho dos burros e carneiros, virou até cantoria. Íamos descendo e cantando “ iió , iiióó e bééé, béééé ... Quando chegamos na praia só haviam patos selvagens e um casal de campesinos que trabalhavam numa plantação de milho ali perto. Eles ficaram rindo da gente de roupa de banho.
Aproveitando o corpo quente e o sol forte mergulhamos nas águas transparentes. Quase congelamos, mas foi muito bom, revigorante. O João parecia não se importar com a água fria, ficou horas peladão, brincando com as pedrinhas na beira e engatinhando dentro d’água. Passamos o resto da tarde lagarteando ao sol.
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03/12/2007
Festa para Pachamama



Nossos planos eram passar dois dias aqui na ilha mas não conseguimos ir embora(acabamos ficando cinco! ), ainda mais sabendo que haveria uma festa. Começamos caminhando pro vilarejo onde se estava organizando a festa. Não fomos convidados , apenas nos disseram pra ir ver a dança pois seria muito animado. Então, chegando de mansinho, como quem não quer nada ... Acabou que fomos convidados a entrar no terreno onde todos se preparavam. Era uma festa para Pachamama ( mãe da terra ) e no final até iam sacrificar uma lhama em sua homenagem. Na hora de comer todos sentaram no chão onde foi estendido um pano com muitas batatas e milhos. Nos sentamos e logo nos foi oferecido um prato de sopa de batatas desidratadas, seguido de arroz com salada e porco ou frango. Todos comiam com as mãos e não parava de chegar comida , cada grupo da comunidade trazia uma iguaria diferente. O João , sentado no meu colo comeu pra valer , batatas e bananas cozidas. Já de barriga cheia, tivemos que ir recusando delicadamente e agradecendo a cada novo prato que nos era oferecido. Era muita comida, impressionante, não acabava mais. A comilança foi seguida por uma verdadeira pajelança: muita cerveja, tabaco, chicha (bebida fermentada de milho) e muita folha de coca. Conforme a banda de música ia tocando musicas andinas todos foram se enfeitando com tecidos,flores e fitas coloridas até que arrumaram a pobre da lhama e após uma longa reza em aymará partiram desfilando e dançando pelas montanhas da ilha. Nós tentamos acompanhar de perto mas naquele ritmo acelerado, com tanta batata no estômago e naquela altitude não tínhamos fôlego.
Chegando em determinado ponto da montanha, durante o entardecer todos bailavam e cantavam. Houve um momento de concentração onde se bebeu e rezou mais um pouco e todos se sentaram pra mascar coca e cavar o buraco onde a lhama seria morta. Depois de muitos rolos de filme me chamaram pra sentar mais perto e então começaram a questionar tantas fotos, pois era proibido fotografar . Eu, diplomaticamente, com o João sentado ao lado e bagunçando todas as folhas de coca dei uma explicação que pareceu ser convincente e prometi dar um cd com as fotos de presente pra eles. Tudo acertado, nos foi oferecido cerveja, coca pra mascar e até uns biscoitos pro João. A festa seguiu noite adentro, mas com o vento gelado fomos embora assim que escureceu, enquanto a lhama era esquartejada e repartida. Tivemos sorte de participar pois essa festa só acontece uma vez por ano. Salve
Pachamama!
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01/12/2007

Ruínas incas

Mais um dia lindo de sol, partimos em uma caminhada para as ruínas de Pilko Kaina. O João pirou com as salas interligadas por uns corredores meio em labirinto. Engatinhava sem parar brincando de se esconder da gente , mesmo com a escuridão de dentro das salas (ele geralmente não gosta do escuro ). Quando voltamos ao povoado ele estava faminto, devorou espagueti e sopa de quinua. Nessa noite assistimos extasiados um nascer da lua cheia sobre o lago Titicaca impressionante, nunca tinha visto uma lua cheia tão grande e um reflexo prateado nas águas com tanta intensidade. Presente dos incas pra gente ...
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30/11/2007


João na Ilha do Sol

Depois de pouco mais de uma hora de barco chegamos ao paraíso do lago Titicaca: Isla del Sol. Aqui nasceu o sol segundo a lenda dos incas. Desembarcamos na parte sul da ilha depois de uma parada na parte norte, onde se pode visitar um museu e algumas ruínas incas. Logo na chegada se encontra o primeiro desafio: subir uma escadaria inca por mais de 30 minutos até o vilarejo. É comum garotos bolivianos guiarem os turistas até o povoado . Eles também se oferecem para carregar as mochilas e cobram entre 5 a 10 bolivianos ( cerca de US$1,00). Ferdinando não teve coragem de deixar o David, um menino de 12 anos, levar nossas mochilas. Na verdade, reduzimos nossa bagagem pela metade e deixamos o restante no hotel em Copacabana. Mas com o nosso inseparável equipamento fotográfico acabei pedindo para o David me ajudar com a minha mochila pequena, já que eu estava carregando o João. Ficamos numa pousada, cuja vista era de tirar o fôlego: as águas azuis do lago, a ilha da lua em frente e a Cordilheira Real, com as montanhas nevadas ao fundo. Era de tarde e ainda conseguimos ver um pôr do sol lindo, enquanto almoçávamos um prato bem típico: sopa de quinua e truta grelhada com batatas. Esse lugar é incrivelmente mágico, muita tranqüilidade e silêncio , se tem a sensação que o tempo parou. O João adorou o lugar, todos ilhéus brincavam com ele e as crianças , já ficaram amigas no primeiro dia. Tudo isso sem falar nos porcos, burros, carneiros, cachorros, lhamas, que ele olhava e ria em estado de graça.
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Sobre o Blog  


Fernando Martinho e sua mulher Ana Paula, ambos fotógrafos, contam as aventuras e os desafios de viajar pela América Latina com um bebê de dez meses na mala.
   
 
 


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