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João e as lhamas do Titicaca
Copacabana é um acontecimento. Além de ser point de mochileiros e viajantes do mundo todo, a cidade recebe muitos romeiros bolivianos e peruanos em busca da benção da Virgem de Copacabana. Mas desde que chegamos a maior atração é o nosso pequeno João. Todos querem tirar fotos com ele aonde vamos. Estamos pensando até em começar a cobrar... rrrrrrsssss Ele tem achado tudo engraçado; vai com todo mundo sem estranhar ninguém e continua brincando com tudo e todos que vê pela frente. Fizemos uma caminhada pela beira do lago Titicaca e ele se divertiu com a areia, os pedalinhos, a variedade de pedras e tantas novidades, como a lhama da foto. Desde que chegamos tem feito o maior sol, mas hoje amanheceu nublado e estamos esperando o tempo melhorar para ir até a Ilha do Sol, que está bem próxima daqui. |
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Micro e minibuses
Viajamos pra Coroico de Van ( que aqui eles chamam de minibus ) e tenho que dizer que não é nada confortável passar três horas sentado naqueles bancos apertados , ainda mais com o João . Ele até tem se comportado bem nas viagens , dorme a maior parte e quando acorda fica na boa cantarolando e brincando sentado. Aprendemos que os melhores assentos são os 3 e 4 , que ficam bem atrás do motorista. Tem um espaço maior para as pernas e ainda uma janelinha. Por experiência própria, nunca use aqueles assentos da ponta que levantam e abaixam , são duros de morrer e o encosto só vai até a metade das costas . Se você tem mais de 1,60 m evite também o último banco ou vai ficar batendo a cabeça no teto. Enfim são pequenos truques que aprendi rápido depois de muitas dores nas costas e torcicolos. Uma loucura é que se viaja com os vidros fechados , fica um calor mortal. Na hora do almoço sempre aparece uma chola (foto) vendendo uns pratos de comida tipo PF com uns refrescos de pêssego em saquinho e todo mundo compra e vai comendo dentro da van ... Dá pra imaginar o cheiro de comida ? A gente tem ficado no biscoito com frutas , mas qualquer hora vou tentar o frango com arroz e choclo . Pode ser que seja bom ... ( Fernando )  |
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Readaptações em Coroico
Desde que começamos nossa aventura decidi voltar a amamentar na madrugada, pensando ser uma forma de suavizar tanta informação diferente, tantos lugares novos, pessoas as mais diversas, enfim, queria tentar trazer mais segurança e aconchego para um bebê de menos de um ano. Mas agora percebo que quem tem lidado melhor com tanta diversidade é o próprio João. Ele é sempre o mais tranqüilo, mais bem humorado, que se comunica melhor – já fez amigos em mais de dez idiomas diferentes – e que normalmente acorda sempre rindo, independente das dificuldades do dia anterior, de onde estamos, se está fazendo sol ou se está chovendo... Na verdade, esse pequeno menino tem nos dado várias lições de vida diariamente... Com isso tudo, voltei a questionar se era realmente necessário continuar sem dormir direito em função das mamadas noturnas, ainda mais agora que ele já completou seu primeiro ano. E mais uma vez, após conversarmos bastante eu e Ferdinando decidimos (difícil tomar a decisão) que chegou a hora de retomar o desmame durante a madrugada. Estou bastante cansada e as conseqüências dessa atitude serão importantes para todos nós, principalmente em relação ao interesse do João por outros alimentos. Coroico é o melhor lugar para isso, pois estamos no maior silêncio possível, com uma paisagem deslumbrante `a nossa porta e janelas, em contato com a natureza todo o tempo e, assim, conseguindo pensar com calma, cuidado, muita atenção e ainda desfrutar de toda a simplicidade necessária para se viver bem. Estamos num chalé pequeno, mas que tem uma cozinha, uma mesa, um giral com cama de casal, mais duas camas embaixo e banheiro. Na verdade, o sentimento mais forte que tenho aqui é muito próximo ao que tive quando fui a trabalho para a Amazônia – não precisamos de muito para viver com qualidade, o que é muito difícil de se perceber nos grandes centros, já que os apelos por consumo e tantas outras coisas são tão imperativos. Mas voltando ao João, essa noite foi difícil, ele acordou muito, chorou bastante, eu e Ferdinando praticamente não dormimos. Tentei ser o mais carinhosa, paciente e acolhedora possível. Resolvemos ficar mais um dia nesse lugar tão especial para que possamos enfrentar e superar essa nova readaptação e para que o nosso pequerrucho possa aproveitar ao máximo das melhores coisas que existem, além de poder ficar pelado muito tempo na piscina numa tarde de sol – como foi ontem, ouvir e ver passarinhos cantarolando, brincar com pedras, pedaços de madeira, areia, engatinhar na grama sem parar, sorrir para todo mundo e ainda por cima de tudo, esperar seu sexto dentinho sair (de cima) com paciência e sabedoria, pois nem teve febre ou se incomodou com isso. E nós vamos aprendendo; é só o começo... (Ana Paula Paiva) |
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Relaxando em Coroico
Depois de uma semana em La Paz, quando se chega ao pequeno vilarejo de Coroico tem- se a impressão de chegar ao paraíso. A viagem é um pouco dura mesmo sendo pela nova estrada, que substituiu a famosa estrada da morte. Coroico fica nos yungas , uma região linda de montanhas verdes ( 2.000 m em média ) entre o altiplano e a amazônia boliviana. Os paceños – pessoas naturais de La Paz – passam fins de semana e feriados aqui. Uma boa dica é o Hostal Sol y Luna, uma charmosa pousada com suítes, chalés e lindos jardins pra quem gosta de trilhas, natureza e sossego. Tem um restaurante muito gostoso, que serve uma comida caseira e uma ótima biblioteca com livros e revistas em vários idiomas, além de piscina com água natural e aquecida. Com tudo isso fica difícil ir até o vilarejo que fica a uns 30 minutos de caminhada. Aqui o João só brinca o dia inteiro, tem até um parque dos niños que fica em frente ao nosso chalé. Ele está louco com os bichos, que são muitos: vaga-lumes, mil pássaros, cachorros, esquilos e o pobre do gato que ele persegue e puxa o rabo, bigodes e orelhas. Enfim, estamos de férias aqui, seguindo o lema local, só relaxando! (Fernando Martinho)
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João e os incas
Das duas opções que tínhamos pra visitar Tiwanako escolhemos a mais aventureira , ou seja , usando transporte público . Dá um trabalho danado pegar uma van lotação ( 1 dólar ) que vai catando passageiros em todo trajeto de 75 Km e ainda para pra abastecer mas é muito interessante ver como o povo daqui se desloca de La Paz para os povoados das redondezas . Ver como é a realidade , como esse forte povo andino se vira . Dentro da van , a maioria dos 16 passageiros só falava quéchua ou aymará ( juro que não dá pra identificar ...) . Cada vez que a van parava eu aproveitava pra comprar algo : bananas , jornal , etc. O João dormiu toda a viagem , e nem sentiu a altitude de mais de 4.000 metros . Na ida umas nuvens bem carregadas esconderam a linda vista da cordilheira real . Quando descemos da van ainda tivemos que caminhar uns 3 Km até a entrada das ruínas rezando pra não chover . Deu tudo certo , apesar do frio visitamos todo o sitio arqueológico e os museus . João se esbaldou brincando com as cabeças milenares esculpidas em pedra ( foto ) , comeu algumas pedras e engatinhou bastante na terra . Antes de retornar paramos pra tomar uma deliciosa sopa de quinua – bem quentinha ! Na volta tomamos mais uma van e depois de uma chuva forte de granizo deu pra contemplar o visual da cordilheira com seus picos nevados monumentais . Nossa van só ia até El Alto onde tivemos que tomar mais uma van até o centro de La Paz . A outra opção pra quem não tiver paciência é o ônibus de turismo , que faz o passeio com o conforto de sair e chegar na porta do hotel com direito `a guia bilíngüe .  |
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Bagunça nas compras  Não comprar nada aqui em La Paz é muito difícil , o artesanato além de ser muito barato é lindo demais . Nosso dilema é que não podemos mais carregar nada ,então antes checamos como despachar encomendas pra São Paulo e fomos `as compras . Confesso que não me divirto muito com esse programa mas a Ana é expert nesse assunto . Acabou sendo muito divertido entrar com o João em diversas lojas , até as mais mal humoradas Cholas brincaram com ele . Ele não deixava por menos e aprontava uma bagunça de dar gosto . Alguns lojistas ficavam bem preocupados e tensos , outros , como o senhor da foto nem ligavam e não estavam nem ai , entravam na brincadeira mesmo com o João botando a loja abaixo . Esse senhor era um santo , mesmo quando o João catou de dentro de uma bolsa sua escova de dente e arrastou por toda loja ele ficou tranqüilo . Quando vimos a cena morremos de vergonha e pedimos mil desculpas . Em outra loja foi diferente , ele achou uma xícara e foi batendo no chão até espatifar . Ele estava terrível . Nessa loja não bastaram as desculpas , tivemos que pagar a tal xícara . (Fernando ) |
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 Protestos e museus Queríamos ter ido hoje pra Tiwanaku , as maiores ruínas arqueológicas da Bolívia , mas fomos surpreendidos por uma paralização geral e não havia transporte disponível . As greves , passeatas e manifestações sempre foram comuns por aqui e depois do governo Evo Morales aumentaram ainda mais . Outro dia caminhando pelo centro , cruzamos com quatro marchas diferentes ( foto ) . Enfim , presos por aqui decidimos explorar mais a capital visitando seus museus ( muitas vezes paramos nos museus só pro João gastar a energia engatinhando , sempre o chão é liso e limpinho ) e praças . Uma boa dica é começar pela Calle Jaén que tem quatro museus . Se paga uma só entrada e dá pra visitar todos : Museo de Metales Preciosos Precolombinos , Museo Casa Murillo , Museo Costumbrista Juan de Vargas e o curioso Museo del Litoral Boliviano , que trata da perda do litoral na guerra do pacífico em 1884 . A Bolívia tenta até hoje recuperar essa saída pro oceano Pacífico . Depois dessa maratona dá pra continuar andando em direção `a Plaza D Murillo fazendo uma parada no exelente Museo de Etnografía y Folklore . Lindo , esse museu tem uma exposição permanente de tecidos , máscaras e cerâmicas de todo canto do país . De quebra ainda vimos uma mostra de arte moderna . Quando vc não agüentar mais museu é hora de sentar nos bancos da Plaza D Murillo , comprar um saquinho de milho pra jogar aos milhares de pombos e admirar a maravilhosa catedral de 1835 e os palácios legislativo e presidencial . Nessa praça o João pirou com os pombos , engatinhando loucamente atrás deles , fez uma festa e logicamente ficou muuuuito sujo . Ali do lado ainda restará o Museo Nacional del Arte , mas preferimos ir tomar um chá de coca no simpático café do hotel Torino pra recarregar as energias . ( Fernando ) |
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 Dicas para os pais Apesar de termos começado a nos preparar uns dois meses antes da viagem é impressionante como só depois que colocamos o pé na estrada percebemos o que é realmente essencial para uma empreitada como essa. No nosso roteiro já enfrentamos temperaturas entre -8 até os 35 graus. Este post é dedicado a aquelas pessoas que já nos escreveram dizendo que querem e devem viajar daqui a um tempo. Então, vamos lá: não é preciso levar mais do que três blusas, duas camisetas, umas duas calças, uma bermuda, um biquíni ou sunga, uma cirola de lã para os dias mais frios, uma canga ou uma toalha daquelas leves de natação (super útil, no nosso caso, em vários quartos que ficamos não tinha toalha e a canga foi a nossa solução), uma roupa confortável para dormir que possa ser usada durante o dia, umas três meias, roupa íntima e uns dois casacos quentes (os de fleece são ótimos, quentes e leves, e outro impermeável). Lembrem-se de que para uma viagem de longo tempo tudo será lavado várias vezes e é super tranqüilo de achar lavanderias por toda parte e não são caras. Aqui na Bolívia, por exemplo, custa em média de 6 a 8 bolivianos o quilo (cerca de um dólar). Além disso, é importante pensar em levar roupas leves, que não pesem muito no mochilão e que sejam fáceis de secar caso enfrentem chuva, frio etc Fora isso, um chinelo, uma bota confortável e uma papete são mais que suficientes e, claro, um kit farmácia de emergência, uma “necessaire” objetiva (sempre bom ter sabonete e papel higiênico ou lencinhos além do restante) com um bom hidratante e protetor solar. Não é preciso trazer chapéu, gorro e luvas, porque tanto no Chile como na Bolívia, Peru as variedades são incríveis, todos lindos e custam por volta de US$ 6,00 ou até menos. Quanto aos acessórios vale a mesma coisa. Na verdade, estou falando isso tudo, porque estamos enfrentando um dilema: não temos mais nenhum espaço na nossa bagagem, já estamos carregando quase cinqüenta quilos fora o João e seu carrinho (achamos um super leve de apenas três quilos que está suportando todas as calçadas terríveis da Bolívia...) e, claro, que estamos querendo comprar várias coisas lindas (presentes para a família, lembrancinhas para os amigos e para a gente também) que são bem mais baratas aqui na Bolívia do que no Chile, por exemplo. Mas ainda não sabemos se vai ser possível... Estamos pesquisando possibilidades de envio para o Brasil, como pelo correio ou por empresas aéreas. Mas já estamos querendo até abandonar algumas roupas pelo caminho... rrrrrrsssssssss Ah, outras coisas bem úteis são: uma lanterna, o guia de viagem – que optamos pelo da Lonely Planet, que é a “bíblia” dos viajantes independentes, um canivete e um saco de dormir (compramos o nosso em São Paulo por R$100,00 e aqui em La Paz encontramos um melhor por 95 bolivianos, cerca de US$12,00). E não se esqueçam do porta dólares e passaporte. Lembrando que, segundo a polícia federal, mesmo para a América do Sul é preciso o passaporte para as crianças, bebês e adultos. (Ana Paula Paiva)
Dicas para a bagagem do bebê Quanto `a bagagem do João, essa teve que ser maior, pois ele está na fase de engatinhar loucamente e andar agarrado nas coisas e com isso gasta muita roupa... Dedicamos um mochilão quase inteiro só para ele, mas agora já percebo que cometi alguns excessos... Então, a dica é: uns dois casacos bem quentes, outro impermeável, leve, umas quatro calças, umas três blusas leves de manga comprida (para proteger do sol forte é a melhor opção), umas duas ou três de manga curta, uns dois casaquinhos de algodão, um pijama, uma cirola de lã, uma sunga e um chapéu (para ele vale a pena trazer, porque até comprar um local, o sol pode não colaborar...). Além disso, uma toalha, umas três ou quatro meias, um sapato confortável, uns dois ou três babadores e umas duas fraldas de pano, que são sempre úteis e versáteis. Além disso, trouxemos uma manta de algodão, que virou também segunda toalha, uma mamadeira para água e sucos, alguns brinquedinhos, uns três ou quatro como referências de casa, mas tudo pequeno, leve e mole. Lembrem-se que durante o caminho há vários artesanatos fantásticos que queremos comprar e é importante ter espaço na bagagem ou até investir numa bolsa, sacola nova caso já não estejam muito pesados... O João também acaba se interessando por tudo que não é brinquedo, como garrafas d’agua, chaves, protetores solar, potes de creme, pasta de dente, relógio, o guia da América do Sul, colheres, ..., enfim, não é preciso se preocupar muito, porque ele se diverte com tudo... E quanto `as coisas básicas do bebê, tipo fraldas descartáveis, pomadas, potinhos de papinhas, ..., isso tudo é fácil de achar em qualquer lugar. Quanto `a alimentação dele, o João, agora com um ano, tem comido um pouco de tudo o que comemos no dia-a-dia, quando achamos conveniente e confiável (do ponto de vista de higiene dos lugares e, claro, bom senso dos alimentos), frutas que são variadas e fáceis de achar em qualquer lugar, vários potinhos de papinhas prontas, que sabemos que não é o ideal, mas são nutritivas e quebram o maior galho quando não estamos seguros quanto a preparação dos alimentos. Além disso, ele ainda mama bastante, aliás, ainda é o seu alimento favorito... Em várias pousadas, albergues há uma cozinha comunitária, onde é possível preparar e estocar comidas tanto para os pequenos como para a gente, o que muitas vezes é a melhor opção – mais barata e mais saudável também. (Ana Paula Paiva) |
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Bruxaria e bizarrices
Andar pelas cercanias do mercado de los brujos é muito interessante , dá pra achar as coisas mais malucas . Desde trabalhos de feitiçaria com bichos empalhados ( sapos , cobras , onças , fetos de lhama ... ) até preparados naturais de raízes e plantas para varias doenças . Até viagra natural tem ! ( dá pra ver a foto da Cicarelli estampada na caixinha ? ) . Alquimia pura !    |
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 Pechinchas bolivianas
Quando estive em La Paz há mais de dez anos atrás a cidade era bem mais tranqüila , impressionante o quanto cresceu . A quantidade de turistas é impressionante , por todo lado se vê aqueles grupos de branquelas com roupas coloridas e câmeras insaciáveis . Nada contra mas nós tentamos escapar desse esquema super turístico sempre que possível. A Bolívia é muito barato , até pra nós brasileiros , mas os preços sobem muito quando se cai nas “armadilhas “ pra turistas . Um exemplo é o passeio pro vale de la luna , um lugar incrível com uma paisagem bem diferente . Se for com uma agência e ônibus de turismo você desenbolsa uns 40 bolivianos mais 15 da entrada do parque , e tem que fazer tudo num tempo estipulado , enfim aturar toda aquela chatice de grupo turístico . Fomos de micro , aqueles ônibus públicos super coloridos , pagando a passagem de 1,50 bolivianos e nos divertindo com as pessoas locais ( o João sempre brinca muito com com todo mundo ) . Aqui sempre há opções mais baratas e autênticas tanto nos passeios e viagens quanto nos restaurantes ( menus do dia com entrada , sopa , segundo prato , sobremesa e suco por 30 bolivianos ) e hotéis . Detalhe : um dólar vale quase oito bolivianos , estamos num hotel bem confortável com internet e café da manhã por 16 dólares de diária , uma pechincha !
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Trânsito em La Paz
Nossa chegada em La Paz foi bem tumultuada. Chegamos ao terminal de ônibus e corremos pra pegar um táxi . O problema é que estava tendo uma manifestação no centro (manifestações, passeatas e protestos são muito comuns na Bolívia) e o trânsito estava parado. O taxista nos aconselhou ir andando até o hotel, segundo ele eram só seis quadras. Botamos o João no carrinho e saímos andando com todas nossas tralhas isso que é mochilar! Pra se ter uma idéia meu mochilão pesa cerca de 20 Kg e o da Ana 14 Kg. Mais as mochilas pequenas com equipamento e notebook, a minha com 9 Kg e a da Ana com 6 Kg. (Pra decidir o que levar nessa viagem, nós passamos por várias etapas, deletando tudo que fosse supérfluo). Com todo esse peso nas costas mais a confusão da rua, sem falar das calçadas péssimas pra andar de carrinho, não chegamos muito longe. Decidimos parar quando vimos a ladeira enorme que teríamos que escalar. A Ana ficou com o João e as mochilas enquanto eu fui descobrir se estávamos longe do tal hotel. Subi tudo e surpresa, chegando ao hotel o recepcionista me disse que não havia mais vagas, que o último quarto ele acabara de dar ao turista israelense que estava ali na minha frente e que havia chegado alguns segundos antes. Saí em busca de outro hotel muito p** da vida depois de quase brigar com o israelense . Estava preocupado com a Ana e o João esperando no meio da rua anoitecendo. Depois de rodar mais de cinco hotéis, consegui um quarto bem legal. Voltei correndo de táxi pra resgatar a Ana e o João. Nessa noite saímos pra jantar bem, merecidamente, num restaurante super descolado (Angelo Colonial), com direito a vinho chileno e luz de velas.
(Fernando Martinho) |
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Chegada em Oruro
Tomamos o trem noturno em Uyuni para Oruro, o João dormiu a noite toda apesar do frio e dos solavancos . A Chegada em Oruro é sensacional, ao amanhecer fomos recebidos com uma enorme revoada de pássaros (patos, flamingos, etc ) conforme o trem vai cortando o lindo lago Uru Uru. Deixamos as mochilas num hotel e fomos tomar café. Depois de algumas deliciosas salteñas seguimos pro Santuário de la virgen del Socavón pra visitar o Museo Minero. É aqui que acontece o famoso e colorido carnaval de Oruro com as diabladas e tudo mais. As minas daqui e de Potosi são uma loucura. Os mineiros trabalham em condições muito precárias , respirando um ar contaminado, muitas vezes em jornadas de mais de 10 horas com um calor de até 50ºC nos estreitos túneis que podem chegar a mais de 500 metros de profundidade. Por tudo isso muitos morrem precocemente antes dos 50 anos de idade. O museu é muito interessante , trata-se de uma antiga mina desativada.
Na nossa visita descemos por um túnel de apenas 18 metros e confesso que a claustrofobia foi grande. O João engatinhou pra todo lado, pirou com aqueles túneis. Bem no fundo, numa espécie de altar , demos de cara com o mórbido El Tio (uma entidade protetora dos mineiros). Algumas pessoas traziam oferendas, como cigarros , bebidas , amuletos e folhas de coca e rezavam num ritual meio sinistro. Nós apenas, respeitosamente, fizemos umas fotos e nos mandamos.
(Fernando Martinho) |
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Parabéns pro João
O aniversário do João estava chegando e confesso que uma certa angústia veio junto também. Afinal, nosso projeto de viagem está se realizando da melhor forma possível, com muitos acertos, alguns erros, mas muito bom humor!!!!! Mas a saudade da família e dos nossos amigos bateu forte diante de uma data tão especial... Um ano se passou e o nosso Joãozoca está crescendo, evoluindo, despertando só sentimentos maravilhosos, nos ensinando um monte e diante disso tudo, como poderíamos comemorar longe de todas as pessoas mais queridas que amamos tanto e que são tão importantes em nossa estória????
Um dia antes do seu "cumpleaños" estávamos à tarde num parque, ainda em Uyuni, quando conhecemos muitas meninas que se encataram pelo nosso João. Conversando com elas tive a idéia de improvisar uma festa no dia seguinte ali mesmo, na praça em frente ao parque, com todas as crianças que costumavam brincar lá. Tudo combinado, as novas amigas do João nos ajudaram a produzir a festa: nos levaram até a loja que vendia balões, chapéus, lembrancinhas e na casa onde encomendamos a torta. Tudo pronto para a comemoração do seu primeiro aninho um alívio e uma alegria de poder dividir um momento tão importante em nossas vidas com mais de cinqüenta crianças, que se divertiram num dia totalmente atípico: com balões, picolés, bolo, ³regalos² e refrigerantes. Até o parabéns em espanhol o João teve direito. Nossos amigos franceses também estavam prestigiando o nosso pequeno e no final foi uma tarde deliciosa, alegre, de muito sol, muita saudade também, que diminuímos um pouquinho com alguns telefonemas para as avós e para a sua irmã Clarica, que está fazendo a maior falta... João ficou muito feliz!!!! Ouviu atentamente tudo ao telefone, recebeu vários e-mails muito carinhosos e se divertiu com a criançada boliviana! Um aniversário muito diferente e muito feliz!!!!!!

(Ana Paula Paiva) |
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| Sobre o Blog |
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Fernando Martinho e sua mulher Ana Paula, ambos fotógrafos, contam as aventuras e os desafios de viajar pela América Latina com um bebê de dez meses na mala. |
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